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História

Cidades

ADMINISTRAÇÃO
Novos prefeitos, velhos problemas

Nelson Gonçalves

A eleição municipal de 1º de outubro se encerra amanhã, com a posse dos eleitos. As cidades ganham novos administradores e novos legisladores. Chegou a hora de governar, de pôr em prática os planos e promessas feitas para convencer o eleitor. Na região, os novos prefeitos da maioria das cidades assumem com enormes desafios. O maior deles é as dívidas urgentes deixadas pelos administradores que estão saindo. Na mesma proporção das dívidas está a esperança da população em dias melhores, o que aumenta ainda mais a responsabilidade dos escolhidos.
Em Araçatuba, o ex-deputado federal Jorge Maluly Netto (PFL) deixa para trás  36 anos no Legislativo para ser prefeito. Vai receber um município com uma dívida que ultrapassa R$ 320 milhões e que compromete praticamente três anos de mandato. 
A folha de pagamento do funcionalismo está em dia, mas o quadro está inchado, com 3.354 funcionários na ativa e 550 inativos, que consomem quase 60% das receitas do município.
Proporcionalmente ao número de habitantes a prefeitura de Araçatuba emprega mais que a maioria das cidades paulistas. “Vamos ter que ‘abater’ cargos”, avisa Maluly, antecipando que pretende apresentar nos primeiros dias de governo um PDV (Plano de Demissão Voluntária), onde serão oferecidas vantagens adicionais aos servidores que se autodemitirem.
Maluly anuncia a receita dos primeiros meses: reduzir despesas e aumentar a arrecadação. Espera reduzir a despesa em R$ 10 milhões no ano e aumentar a receita em R$ 30 milhões. A partir de amanhã, poderá pôr a teoria em prática.
Outro desafio é convencer o contribuinte a pagar os impostos em dia. A prefeitura tem a receber um montante de R$ 50 milhões. É nessa dívida que o novo prefeito aposta para aumentar a arrecadação esse ano. Ele pretende “vender” o crédito aos bancos. Outro desafio é melhorar o atendimento nos serviços de saúde, maior desejo da população, segundo pesquisa publicada pela Folha da Região no início do mês. 
O novo prefeito anuncia que estará investindo cerca de R$ 2 milhões na informatização de todos os postos de saúde e das repartições públicas. Para agilizar a marcação de consultas e o atendimento médico à população o Programa Médico de Família deverá começar a funcionar nos primeiros meses da administração.
 
 

Foto: Arquivo FR - 01/12/2000

NOVA DIREÇÃO/ Vista de Araçatuba, que troca de comando
 

Salários desafiam Birigüi e Andradina

Harlen Félix, Jean Oliveira
e Claudia Russo

Os novos prefeitos de Birigüi e Andradina vão assumir os cargos com um desafio de curto prazo: regularizar o pagamento dos servidores municipais. Em Andradina, Marcos Citro terá de arcar com as despesas de exoneração dos assessores da atual prefeita, Edna Brito (PRP). São R$ 170 mil. Em Birigüi, Florival Cervelatti (PL) terá de pagar os juros de um empréstimo feito pela administração atual para pagar os salários de novembro e o décimo-terceiro. Terá de pagar ainda o salário de dezembro.
O industrial Marcos Citro receberá também uma sequência de obras inacabadas. A prefeita de Andradina, Edna Brito (PRP), deixou os prédios das creches da Cohab Gasparelli e da Vila Mineira, além da instalação de esgoto na parte norte da cidade e a usina de reciclagem de lixo pela metade.
“Não é o cenário que esperávamos, mas vamos protelar a dívida com os assessores e dar andamento aos nossos projetos, que é transferir o pronto-socorro para o hospital já na terça-feira, demitir parte dos funcionários temporários que são dispensáveis e mudar o organograma do trabalho”, disse Citro.
O orçamento estimado para o ano é de 28,7 milhões. “Com esse dinheiro pretendo pagar os funcionários, construir o hospital da criança onde hoje funciona o PAM (Pronto Atendimento Médico) e mudar a cara da cidade, recapeando ruas, terminando a usina de reciclagem de lixo e limpando e repintando praças e prédios públicos”, anuncia Citro.
Além de regularizar o pagamento dos servidores de Birigüi, Florival Cervelatti tem como desafio melhorar o atendimento nos serviços de saúde, apontado como prioridade pela população. Segundo ele, o setor necessita de uma estruturação.
Sede do Consórcio Intermunicipal de Saúde, Birigüi também tem como desafio ampliar as guias disponíveis para cirurgias no SUS (Sistema Único de Saúde) em parceria com as 10 cidades que integram o projeto. Atualmente, o consórcio trabalha apenas com consultas e exames.
O novo prefeito de Guararapes, Tarek Darghan (PL) assume acuado por uma dívida de R$ 9 milhões, que pretende renegociar com os credores. Ele terá de resolver problemas de falta de água e melhorar o atendimento de saúde. Darghan promete descentralizar o atendimento médico, reativando dois postos de saúde. Tarek também avisa que pretende reduzir o número de cargos de confiança para enxugar a máquina administrativa.
 

Cavasana é o mais idoso
e rico entre os vereadores

Nelson Gonçalves

O vereador Clemente Cavasana (PMDB), 66 anos, além de mais idoso é o mais rico entre 19 vereadores eleitos para a próxima legislatura. O mais novo dos eleitos é o professor Claúdio Henrique, com 33 anos, e o mais pobre é o pastor evangélico José Roberto da Silva, o José de Jesus (PL), estreante na política e que diz não possuir nenhum bem.
Cavasana possui um patrimônio avaliado por ele mesmo em cerca de R$ 1,1 milhão. São seis casas, três terrenos, um escritório e três propriedades rurais em Araçatuba e uma fazenda no Estado de Mato Grosso, além de um Vectra e uma camionete Toyota. Diz que não recebeu nada de herança. “E nem ganhei na loteria!” completa. “Foi tudo graças ao trabalho. Tenho 38 anos de advocacia, 12 como contador, sou professor e produtor rural.” 
O segundo vereador com maior número de bens é o atual presidente da Câmara, Tadami Kawata, que tem o patrimônio avaliado em R$ 800 mil. São cinco terrenos, uma casa, duas empresas de autopeças em Araçatuba, duas fazendas no Mato Grosso do Sul, onde cria mais de 600 cabeças de bois. Ele tem também um Apolo 91 e uma motocicleta Honda de 125 cilindradas.
Em termos de patrimônio os vereadores mais ricos de Araçatuba perdem em disparada para o vice-prefeito eleito Antônio Barreto dos Santos (PFL) e para o prefeito eleito Jorge Maluly Netto (PFL). Barreto tem o patrimônio avaliado em R$ 1,6 milhão e Maluly em mais de R$ 18,3 milhões.
Para Maluly Netto, a situação demonstra sua capacidade de administração. “Sempre fui um bom comerciante”. Ele afirma também que o seu salário como médico no início da carreira era muito superior aos de médicos tarimbados que estão hoje no auge da carreira. “Com o meu salário dava para comprar dez alqueires de terra”, lembra. “Todos os médicos da minha época se tornaram grandes fazendeiros e pecuaristas.” Veja na página 10 a relação de bens de vereadores e do prefeito.
 

Políticos vão maneirar
na bebida para a posse

O Réveillon da maioria dos políticos de Araçatuba vai ser moderado no consumo de bebidas e na alimentação. Todos querem estar em plena forma física para a hora da posse. Por isso querem evitar o exagero de bebidas e alimentos para não passarem mal na solenidade.
O prefeito eleito de Araçatuba, Jorge Maluly Netto (PFL), confessa que vai ter que diminuir o consumo de bebidas e de alimentos. A passagem do ano será com a família reunida num dos restaurantes da cidade. “Eu não ligo muito para essas coisas, vou mais para atender minha mulher e os filhos”, admite Maluly Netto. “Mas logo depois dos cumprimentos pretendo ir dormir para acordar bem cedo”. Ele não descarta tomar cerveja e nem abre mão do cigarro.
O vice-prefeito eleito, Antônio Barreto dos Santos (PFL), também pretende estar reunido com a família e amigos numa chácara. E revela já ter estabelecido uma cota para não extravasar o consumo de bebidas: “É só uma cervejinha para não fazer mal e estar preparado para o dia da posse”.
O atual presidente da Câmara, Tadami Kawata (PTB), também vai celebrar a passagem do ano em família em sua própria casa. “Mas sem exageros”, avisa.
A prefeita Germínia Venturolli (PRP), que entrega o cargo a Maluly Netto nesta segunda-feira, comemora a passagem do ano com a família e alguns amigos em sua chácara. Ela diz que não bebe e que preparou uma ceia simples para celebrar a data.
Não escondendo sua preferência pela cerveja, o vereador eleito Adhemar Pessoa (PPB) informa que estará passando a passagem do ano na casa de um amigo no bairro Castelo Branco (Seiscentas Casas). “O duro vai ser aguentar para tomar bem pouco”, diz, admitindo que em época de festas gosta de extravasar um pouco no consumo de bebida e comida. “É bom isso que eu tenho essa barriguinha”, afirma, mostrando sua barriga avantajada.
A vereadora eleita Edna Flor (PT) passa o reveillon em casa, junto com a família. “Como eu não bebo nada de bebida alcoólica pra mim não existe problema”.
O delegado de polícia aposentado e vereador Nelson Reis Alves (PDT), que não se candidatou à reeleição e está se despedindo da política depois de sete mandatos consecutivos, disse que terá que se contentar com uma taça de vinho ou com um copo de cerveja. “Não estou podendo beber porque estou tomando remédio para pressão alta”, lamenta. (N.G.)

Casal Venturolli não deixará a política

José Marcos Taveira

A aposentadoria na política não faz parte dos planos da prefeita Germínia Dolce Venturolli, 68 anos, e de seu marido, Sylvio José Venturolli, 70, que encerram hoje o terceiro mandato na Prefeitura de Araçatuba. Apesar dos 46 anos dedicados à vida pública e da baixa votação de Germínia na tentativa da reeleição, o casal não pensa em parar e nem descarta a disputa de uma nova eleição. 
Nem mesmo férias eles querem tirar. “Nunca tivemos férias”, diz Germínia. “A única vez que fomos passear um pouco, ficar 15 dias com meus genros no Rio de Janeiro, tive crise de angina, fui para o Incor (Instituto do Coração), em São Paulo, onde acabei operada com urgência e estraguei as férias dos meus genros e netos.”
A professora aposentada considera uma vitória ter conseguido tocar a prefeitura mesmo enfrentando problemas graves. Ela destaca, entre outras “vitórias”, ter conseguido entregar a cidade com 100% de água e esgoto tratados.
A carreira política dos Venturollis começou na década de 50, quando Sylvio, professor de matemática que veio de Rio Claro (SP) para ficar apenas seis meses, se candidatou a vice-prefeito com apenas 24 anos. Ele morava em Araçatuba havia apenas quatro anos. Não se elegeu, mas conseguiu o cargo na segunda eleição. Foi em 1963 que se elegeu prefeito, administrando de 1964 a 1969. Em 70, elegeu-se deputado federal, reelegendo-se em 74. “A bem da verdade, nunca gostei do Legislativo”, revela. “Gosto de mandar, de executar. Mas acabei sendo candidato a deputado federal para ajudar o Nelson Reis Alves, que era nosso candidato a deputado estadual na época.”
Germínia sempre acompanhou o marido, inclusive sendo sua assessora. O resultado dessa convivência foi a eleição para prefeita em dois mandatos (1989 a 1992 e 1997 a 2000). Foi a primeira e única mulher a assumir o cargo até hoje.
Até chegar a próxima eleição, Germínia e Sylvio continuarão acompanhando a política de Araçatuba na famosa chácara Morado do Sol, local onde recebem os amigos e correligionários em meio a mais de dois mil pássaros. As gaiolas estão penduradas por toda a parte. Um hobby de Sylvio. Germínia, por sua vez, gosta de cuidar da casa e das plantas e é, inclusive, uma grande costureira. 
Em entrevista à Folha da Região, o casal relembrou a trajetória política e a maior obra conquistada por eles: a retirada dos trilhos do centro da cidade. A entrevista foi feita na chácara, na sexta-feira, pouco antes de Germínia fazer sua última aparição em público como prefeita, em uma solenidade no Daea (Departamento de Água e Esgoto).
Logo na porta de entrada da chácara, três quadros da decoração da sala chamam a atenção. São as fotos oficiais do casal no período em que estiveram administrando a cidade. Por vários cômodos, o espaço é dividido com móveis antigos e presentes recebidos pelo casal em todos esses anos. A maior parte deles está na biblioteca. São troféus, títulos e honrarias. Em outra sala, outro hobby de Sylvio: pilhas de livrinhos com histórias de faroeste espalhados por um sofá. “Ele adora”, revela Germínia.

Folha da Região — A senhora foi a primeira mulher a assumir a Prefeitura de Araçatuba, conseguindo até se reeleger. Como foi essa experiência para uma professora?
Germínia - Foi o resultado de uma seqüência de atividades que tivemos desde que viemos para Araçatuba. Vim para cá em 1951. Meu marido veio em 50 para lecionar no Instituto Educacional Manoel Bento da Cruz, como professor de matemática, onde se aposentou após 37 anos na mesma escola. A gente sempre participou de todas as atividades dentro da escola. Meu marido acabou se elegendo vice-prefeito e eu participei da campanha. Fui ficando conhecida e acabei sendo até assessora do Sylvio quando foi deputado federal. Quando ele foi prefeito, também colaborei na administração. Acabei sendo candidata a prefeita e ganhando a eleição.
FR — Qual foi a maior alegria e o maior erro nesses dois mandatos?
Germínia —  Foram vários acontecimentos que marcaram nossa presença. Principalmente nas área de educação e saúde. Mais de 40 escolas foram construídas pelo casal. Quando se constrói uma escola já é uma satisfação imensa. Quando se constrói uma unidade de saúde é outra satisfação. Levamos o primeiro ginásio para a zona rural. Foi em Santo Antônio do Aracanguá, o primeiro da América do Sul. Também levamos para a zona rural o serviço odontológico. Foi também o primeiro da América do Sul, saiu até em uma revista. Com relação a erro, não houve, de jeito algum. Acho que todas as atitudes tiveram resultados positivos.

FR — Sua última administração foi muito conturbada. O que a senhora acha que deu errado? Por que não conseguiu se reeleger?
Germínia —  Nessa administração encontramos a casa muito desordenada. Encontramos a prefeitura quebrada, com a receita antecipada de 97, que foi meu primeiro ano, por causa de 70% de desconto no pagamento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) dados pela outra administração, em 96. Aí fica difícil administrar uma prefeitura com dívida em todo lugar. Até com os Correios precisamos parcelar. Parcelamos também dívida de quase R$ 3 milhões com a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz).
Por mais que se tivesse criatividade e boa vontade para fazer, não era possível por causa da falta de dinheiro. Não vou dizer que foi uma frustração porque a gente tem que enfrentar mesmo quando encontra uma situação como essa. Tinha dias que não dava vontade nem de ir ao Paço Municipal. Chegamos a atrasar o salário de funcionários. No meu primeiro mandato pagávamos dez dias antes, mesmo em meio a uma inflação violenta. Neste mandato, conseguimos tocar a prefeitura mesmo com todo mundo dizendo que tínhamos que dispensar 200 funcionários. Realmente o quadro estava inchado, mas não tomaria essa atitude. Foi uma loucura. Dar a volta por cima numa hora dessas foi uma vitória maravilhosa, valeu a pena.

FR — Uma das cenas mais marcantes envolvendo o professor Sylvio José Venturolli foi, com certeza, quando o senhor chorou na frente da imprensa durante a inauguração do novo traçado ferroviário de Araçatuba. A retirada dos trilhos do centro da cidade seria uma das maiores emoções que o senhor já teve na sua carreira política?
Sylvio —  Realmente. A mudança dos trilhos do centro de Araçatuba começou na minha administração, na época ainda da revolução, no período de 1964 a 1968. Chegamos a nomear uma comissão, a fazer contatos com a diretoria da rede ferroviária em Bauru, a realizar uma reunião aqui em Araçatuba. Depois eu deixei a prefeitura e pararam com esses entendimentos.
Quando a Germínia assumiu, reassumimos também o problema da mudança do traçado ferroviário. Nessas tratativas, conseguimos retomar o convênio que havia sido feito no governo do doutor Cotrim (Oscar Luiz Ribeiro Gurjão Cotrim, ex-prefeito de Araçatuba) e conseguimos recursos para fazer a mudança. Aquilo vinha desde o meu mandato e se consolidou na primeira administração da Germínia. Nós fizemos a mudança dos trilhos. Inauguramos, em 17 de novembro de 1991, nessa viagem que você lembrou. Aquilo foi realmente o máximo.
Infelizmente, não deu para fazer a avenida no local dos trilhos por causa de uma série de contratempos. Os invejosos do casal em Araçatuba criaram uma série de problemas, inclusive com ações na Justiça.
E acabou a outra administração fazendo essa porcaria que está aí, mudando o projeto inicial e frustrando a realização do grande objetivo. 

FR — E qual foi o maior erro do casal?
Sylvio —  Não acho que o casal tenha cometido erro.

FR — Não há nada que o senhor tenha se arrependido de fazer?
Sylvio —  Não, não existe. Pelo menos da minha parte. Se a Germínia teve alguma frustração, nunca me falou.

 FR — O casal pretende apoiar a administração de Maluly Netto?
Sylvio —  Sempre apoiamos todos os prefeitos de Araçatuba. Temos adoração pela cidade. Já temos até um terreno comprado no cemitério da Saudade, seremos enterrados aqui. Não é porque você perde uma eleição que vai parar de desejar que a cidade desenvolva e cresça. Para isso o casal sempre ajudou e será a mesma coisa com o Maluly. Somos amigos desde 1964, quando fui prefeito aqui e ele em Mirandópolis. 

 FR — Qual é o futuro do casal Venturolli?
Sylvio —  O futuro a Deus pertence, as coisas vão acontecendo. Nosso desejo é não disputar mais eleições. Isso não quer dizer que não vamos apoiar alguém. Mesmo se amanhã tiver que disputar eleição para prefeito, sou da idade do Maluly e a Germínia um pouco mais nova. Temos muito tempo pela frente. 

FR — O senhor quer dizer que o casal ainda continuará na política?
Sylvio —  Sem dúvida. 

FR — Em um futuro distante, quando o casal já não existir mais, como vocês gostariam de ser lembrados?
Sylvio —  Seremos lembrados quer queiram, quer não. Como vai ser, não sabemos e não temos preocupação nem de pensar. 
Germínia —  O que importa é que o pessoal de Araçatuba nos recebeu de braços abertos desde que chegamos aqui e continuam nos respeitando. Sempre fomos felizes aqui. A maneira como forem lembrar da gente não importa. O importante é que nós temos admiração muito grande pela população e pela cidade.

Foto: Lécio Jr

PODER/ Germínia entra para a história de Araçatuba como a primeira mulher a assumir a prefeitura; trabalho começou com o marido Sylvio
Foto: Lécio Jr




Conheça os próximos vereadores
de Araçatuba e o patrimônio deles

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FRATERNIDADE
Drogas são o alvo da campanha de 2001

Alessandra Nogueira

A Campanha da Fraternidade, promovida pela Igreja Católica há 30 anos, abordará as drogas, em 2001, por sugestão do bispo da Diocese de Lins, dom Irineu Danelon. Com o tema “Vida Sim, Droga Não”, a campanha começa no início da quaresma, em 28 de fevereiro, com a abertura feita em rede nacional pelo papa João Paulo II.
O objetivo da campanha é alertar toda a comunidade sobre os perigos e conseqüências da dependência química. Além das drogas ilícitas, a campanha abordará também os problemas causados pelo álcool e cigarro.
Além de utilizar os meios de comunicação, a igreja editou 5 milhões de livros com a proposta da campanha, que serão distribuídos para as dioceses até o mês de fevereiro.
O tema da campanha da fraternidade é escolhido todos os anos pela Comissão Episcopal de Pastoral, composta por oito bispos, e por 16 representantes dos bispos de todo o Brasil.
Para convencê-los de que o tema merecia atenção especial, o bispo de Lins conseguiu mais de 200 mil assinaturas na Assembléia Geral dos Bispos da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), que aconteceu na cidade paulista de Itaici, há dois anos.
O interesse pelo tema começou quando dois de seus sobrinhos se viciaram em drogas e foram presos. Um deles, morreu há nove meses, vítima da dependência química.
“Quando ia visitar meus sobrinhos na prisão, via que boa parte dos presos eram usuários de droga e percebi que não poderia ficar omisso”, conta.
Desde então, o bispo viaja pelo Brasil fazendo palestras. Ele participa também dos fóruns da Secretaria Nacional Anti-Drogas.
Para dom Irineu, o que leva uma pessoa a ser usuária de droga é a falta de sentido na vida. Ele acredita que o desemprego, a falta de estrutura familiar e de uma educação satisfatória são as principais causas. A confecção do material que será utilizado na campanha teve participação direta do bispo de Lins - ele ajudou a redigir o texto oficial, onde apresenta a realidade das drogas com a propriedade de quem já vivenciou de perto o problema.
Apesar de a campanha da fraternidade ser veiculada somente no Brasil, a intenção do bispo é articular toda a América Latina. “O bom pastor não foge quando o lobo ataca suas ovelhas. A droga é uma alcatéia de lobos e não podemos ficar alheios a isso” finalizou.
 
 

Veja infográfico






 

ANO NOVO
Novo milênio
marca últimas
missas do ano

Eloisa Morales

As missas de ano-novo, celebradas pela Igreja Católica, terão um significado mais especial este ano por causa da virada do século e do milênio. Segundo o padre Charles Borg, pároco da igreja Santo Antônio de Pádua, a passagem do ano para os cristão traz “a esperança de um mundo melhor e a certeza de que só com muito trabalho alcançaremos a paz”.
O padre lembra ainda que as missas de ano-novo são importantes para que as pessoas peçam perdão a Deus por tudo que fizeram de errado e agradeçam o que receberam de bom durante o ano.
Na capela Santa Rita de Cássia, em Araçatuba, a missa de ano-novo, no dia 31, terá uma programação especial. Ela será mais longa (duas horas de duração) e terá a participação do grupo da renovação carismática, que deve fazer uma noite de louvor. A missa será celebrada em frente à capela, como a missa do Natal. A expectativa é de um público de quase duas mil pessoas.
 



 

PREVISÕES
Astróloga prevê crescimento
da indústria e do emprego

Cláudia Russo

No que depender dos astros, em 2001, Araçatuba terá grandes possibilidades de expansão industrial e geração de empregos. Apesar da ansiedade típica do período de mudanças, a comunidade vai se unir e trazer boas soluções para problemas da área Social e de Educação.
As previsões da astróloga Maria Helena Celuralle mostram boas oportunidades para a exploração do solo e da água. A partir de fevereiro até julho crescerá o interesse de novos investidores, que poderá ter reconhecimento até internacional.
Segundo ela, Plutão atuando sobre o signo de Sagitário ressaltará a necessidade de estabelecer metas a médio e a longo prazo. Daí a preocupação com o futuro e os novos investimentos. No primeiro ano do novo século, a sagitariana Araçatuba terá Júpiter transitando em cima da Lua representando popularidade e tendência a parcerias com órgãos governamentais nacionais e internacionais.
Mesmo diante das boas expectativas econômicas, em 2001 os políticos araçatubenses poderão abortar um grande empreendimento que vai frustar a população. O ano também não será bom para o esporte local, e a Aea (Associação Esportiva Araçatuba) até vai se esforçar, mas dificilmente sairá do rebaixamento.
O mapa astral de Araçatuba mostra que a população não deve esperar milagres da administração e as saídas para muitos problemas sociais poderão vir das ongs (Organizações Não-Governamentais), que ganharão força, especialmente no ano que vai motivar o voluntariado.
A partir de 2001, os comprometimentos políticos, muito marcados por cabides de emprego dentro da máquina administrativa, serão aos poucos cortados por influência de Saturno e Júpiter transitando em gêmeos e Urano e Netuno transitando em Aquário. Os políticos tero de tomar cuidado com o dinheiro público.
Acompanhando a tendência universal, as mulheres de Araçatuba terão mais espaço em todas as áreas. Elas estão sobre a influência da feminilidade da Era de Aquário, iniciada na década de 60, segundo algumas linhas astrológicas. 
 



 

ADOÇÃO
Fórum fará o
cadastro dos
interessados

Cristina Lima

O Fórum de Araçatuba começará a cadastrar, em 2001, as pessoas interessadas em se aproximar das crianças e adolescentes abrigados em três instituições da cidade, aguardando o retorno ao convívio familiar ou a adoção. De acordo com o promotor da Infância e da Juventude, Lindson Gimenes de Almeida, o Fórum recebeu dezenas de ligações esta semana de pessoas que manifestaram interesse em se cadastrar.
O promotor diz que está “animado” com as perspectivas de adoções para o próximo ano. No último domingo, a Folha da Região publicou reportagem sobre a situação das 89 crianças e adolescentes abrigadas na cidade. Este ano, apenas sete foram adotadas.
Segundo o promotor, as pessoas interessadas vão passar por entrevistas para verificar se têm realmente interesse em ajudar os menores, ou se estão, na verdade, com dó dos abrigados.
“Não queremos que essa aproximação seja precipitada. E mesmo que não exista desejo ou possibilidade de adoção, quem quiser levar essas crianças e adolescentes para casa, tem que pensar em dar continuidade a esse processo, amadurecer o relacionamento, para que ele seja produtivo para os abrigados”, explica.
O cadastro deve ser iniciado entre o final de fevereiro e o início de março do ano que vem. O promotor e o juiz da Infância e da Juventude de Araçatuba, Wellington José Prates, estudam inclusive a possibilidade de formar grupos de acompanhamento.
 



 

LEGISLATIVO
Escolha está polarizada entre 2 grupos

Nelson Gonçalves

A escolha para a presidência da Câmara de Araçatuba está polarizada entre dois grupos de vereadores. De um lado, estão os presidenciáveis Nilo Ikeda (PSDC), Nei Giron (PPB) e Carlos Hernandes (PFL), com apoio do atual presidente da Casa, Tadami Kawata (PTB). De outro, estão três vereadores que também almejam a presidência: Edval Antônio dos Santos (PRTB), Antônio Edwaldo da Costa (PDT), o Dunga; e o estreante Gilberto Mantovani (Prona).
Tadami Kawata declarou ontem que seu voto para a presidência da Câmara será para Ikeda. “Já assumi compromisso com ele e estarei fora da composição da mesa”, informou Kawata. As duas vereadoras eleitas pelo PT - Durvalina Garcia e Edna Flor - retiraram o apoio inicial à candidatura de Clarice Andorfato (PRTB) e podem se abster na votação. Caso isso ocorra, a escolha do novo presidente fica para 17 vereadores. 
Durvalina afirmou que a candidatura de Clarice não decolou. “Morreu no meio do caminho”, observou. Ela não descarta a hipótese de as petistas se absterem. “Mas isso somente depois de se esgotarem todas as possibilidades de termos um candidato que atenda os princípios da ética e moralidade.” As duas vereadoras petistas estão abertas para conversações e exigem a participação de uma mulher na mesa diretiva da Câmara.
Edval trabalha também com a hipótese de o vereador Sidney Cinti (PSDB) se abster da votação. Seriam necessários então nove votos para garantir a presidência e, em caso de empate, o cargo fica com o vereador mais votado nas eleições. “Nesse caso, nosso grupo leva vantagem”, observa.
Dunga pretende surpreender a todos e reconquistar a presidência, cargo que ocupou por duas vezes. Ele rebateu insinuações de que estaria comprando voto prometendo barganha de cargos com o Executivo. “Duas ou três maritacas, aves de mau agouro, arrotam isso aí”, afirmou, admitindo devolver alguns benefícios cortados dos servidores da Câmara. “Uns gostam de gastar com construção. O povo não come cimento, gosto de investir no ser humano.”
 



 

CASO DOS CHEQUES
Sidney Cinti diz que sairá do PSDB

O vereador eleito Sidney Cinti anunciou ontem que sai do PSDB depois que tomar posse amanhã na Câmara de Araçatuba. Sua desfiliação, explicou, ocorre em razão principalmente das declarações do vice-governador Geraldo Alckmin (PSDB), de que ele não era assessor do governo, e do que considera pré-julgamento no caso dos cheques que recebeu do publicitário Flávio Nasser.
Cinti é acusado de ter pedido R$ 360 mil e recebido R$ 180 mil (R$ 30 mil em dinheiro e R$ 150 mil em cheques) para não concorrer a nenhum cargo nas últimas eleições. 
Ele nega as acusações e diz que recebeu o dinheiro para prestar consultoria de marketing político na campanha dos tucanos.
“Não quero conviver mais com gente derrotada”, afirmou. “Já paguei caro por estar no PSDB. Teve gente que não votou em mim por causa do partido, ao qual sempre fui leal”, disse. Segundo o vereador eleito, que passou antes pela Arena, MDB, PMDB, PRN, PST, PFL e PL, partido político nunca lhe fez falta. “Partido é na verdade um monte de pedaços; um monte de gente querendo puxar o tapete do outro. Não devo explicações ao partido. Devo à população que votou em mim. O povo vota no candidato; não vota no partido”. 
Cinti também informou estar exigindo retratação do vice-governador do Estado e para isso disse que estará ajuizando interpelação judicial contra Alckmin. “Eu não tenho que bater continência para o vice-governador, só para o governador Mário Covas, a quem sou muito grato”, afirmou.  Cinti pediu exoneração do cargo de gerente de divisão da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), empresa do governo do Estado, na qual ganhava R$ 5,2 mil mensais desde fevereiro de 2000. “Vai me doer muito. Vai fazer falta, mas minha honra vale muito mais”, disse. (N.G.)
 
 

Foto: José Marcos Taveira

PROVAS/ Vereador eleito mostra crachá e holerites
 



 

INFÂNCIA
Unicef destaca Araçatuba e Ilha Solteira

Cristina Lima

Um relatório sobre a Situação da Infância Brasileira 2001, divulgado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) recentemente coloca as cidades de Ilha Solteira e Araçatuba entre as 50 melhores do país nas condições de desenvolvimento infantil.
O documento confirma a melhora mundial significativa na situação de mulheres e crianças, tendência que segundo o Unicef também prevaleceu no Brasil.
No ranking nacional, Ilha Solteira ocupa a 9º posição entre os 5.507 municípios do Brasil em qualidade de vida para as crianças, com um IDI (Índice de Desenvolvimento Infantil) de 0,773. O IDI é o indicador criado pelo Unicef para estabelecer um ranking de cidades. O IDI de Araçatuba é de 0,722, o que deixa a cidade na 41ª posição.
A cidade mais bem colocada no ranking nacional é Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, com IDI de 0,831. A que apresenta as piores condições de vida para o desenvolvimento das crianças é Melgaço, no Pará, com IDI de 0,216.
No rol estadual, Ilha Solteira sobe para a 5ª posição entre os 645 municípios de São Paulo, e Araçatuba passa para a 21ª. 
Pelo relatório, todos os municípios brasileiros apresentaram queda nos índices de mortalidade infantil, ampliação na cobertura vacinal, no acesso à escola e no registro em cartório dos recém-nascidos.
Essa é a primeira vez que o Unicef promove um estudo do IDI. A partir de agora, o relatório deve ser elaborado anualmente. O objetivo, segundo o Fundo, é contribuir para o desenvolvimento humano da criança e do adolescente. As informações foram baseadas em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e dos ministérios da Saúde e da Educação.

PROGRAMAS - Os prefeitos de Ilha Solteira, Sebastião de Paula (PB), 60 anos, e de Araçatuba, Germínia Venturolli (PRP), 69, destacam a importância dos programas voltados ao atendimento das crianças no resultado encontrado pelo Unicef. 
Segundo Sebastião de Paula, Ilha Solteira tem creches para todas as crianças, cobertura vacinal de 100%, oferece exames preventivos regulares e complementa a alimentação das que provêm de famílias carentes.
A prefeita de Araçatuba também afirma que os resultados apontados pelo Unicef não são novidade para a sua administração, mas reflexos do trabalho desenvolvido a começar das escolas, para garantir que as crianças cresçam sadias.
“Oferecemos atendimento às gestantes, cestas básicas para que não se alimentem mal durante a gravidez, remédios e exames do pré-natal e leite para as crianças carentes que têm de zero a 2 anos de idade”, disse. “O saneamento básico, que cobre a cidade toda, não permite a proliferação de doenças como as verminoses, muito comuns nas crianças”.
 



 

VELHICE
Século 21 não empolga idosos

Cristina Lima

O fim do século 20, que foi marcado por grandes conquistas do homem e várias guerras, e a chegada do século 21, em que a globalização e a tecnologia serão as verdadeiras armas, não têm muito significado para pessoas que nasceram entre o final de 1800 e o início de 1900.
Alheios a todo o glamour e à mística que envolvem a passagem de 31 de dezembro deste ano para 1º de janeiro de 2001, eles guardam lembranças de um tempo que, acreditam, embora oferecesse poucos recursos materiais, era melhor para viver.
A lida nas lavouras de café, arroz, feijão, cana e algodão foi a ocupação de muitos deles, homens ou mulheres, migrantes ou nascidos na região. Até hoje, a terra e a família são suas lembranças mais vivas, e as que mais ocupam seus pensamentos.
“Meu pai trabalhava na roça para sustentar os dez filhos. Às vezes, quando perco o sono, tento me lembrar de quando meus parentes morreram, mas não consigo. Só lembro da vida boa que levávamos”, conta Maria Augusta (em seu registro de nascimento, não há sobrenome), 96, interna do Abrigo Ismael.
Com dificuldade para andar e falar, ela relata que casou-se, mas não teve filhos, e que o marido morreu possivelmente de bronquite. Uma sobrinha, de quem ela só sabe o nome (Eurides), é quem cuidava dela, mas adoeceu e teve de mandá-la para o asilo.
Dos fatos marcantes do século, Maria Augusta não sabe. “Naquela época, a gente não ficava sabendo do que acontecia nem na cidade toda, que dirá no mundo”, diz. O fato de ter chegado ao ano 2000 e estar prestes a viver em um novo século também não a empolga. “Peço a Deus que me mande a morte. É duro não ter ninguém, nem pai, nem mãe, nem irmãos e nem memória.”
Embora também tenha sofrido muito desde que deixou a Bahia, aos 25 anos, em 1929, o lavrador Cirilo Felipe e Souza, 96, não lamenta o fato de estar sozinho no mundo, mas se lembra com saudade de sua família, do tempo em que tinha força para cultivar lavouras e de sua terra natal.
Cirilo, que mora no Lar da Velhice há cinco anos, conta que veio para São Paulo para tentar uma vida melhor do que a que levava no sertão, mas que nunca conseguiu juntar nenhum dinheiro aqui.
“Eu cortava árvores, lavrava a terra, plantava de tudo. Mas muitas vezes tive de dormir no mato, e se almoçasse, não podia jantar, porque o dinheiro que eu ganhava não era suficiente para as duas refeições. Trabalhei como um condenado a vida toda, e hoje vivo como um mendigo”, lamenta, mas sem aparentar tristeza. “Mesmo assim, se Deus permitir ainda quero viver um pouco mais”, brinca.
Dos fatos marcantes do século, ele também não sabe falar. E nem sobre a chegada de um novo século e a virada de milênio. “E eu lá andava sondando para saber o que acontecia no mundo? Minha vida foi trabalho. Essas coisas de cidade, não conheço. Mas se me derem uma enxada, uma foice e um machado na mão, faço qualquer coisa.”
Da família, Cirilo não teve mais notícias. Os três irmãos, ele diz que “saíram pelo mundo” e nunca mais apareceram. Mas também não fazem falta, assim como mulher e filhos, que ele não teve.
 
 

Foto: Ademir Lopes

ÉPOCA/ Maria Augusta não acompanhou as mudanças 

‘Não imaginava que
a velhice chegaria’

Aos 100 anos de idade, a aposentada Aurora Alves Bezerra não sabe dizer quantos bisnetos tem. Lembrar os nomes dos 21 netos também não é tarefa fácil para ela, que teve cinco filhos e um aborto que quase a matou, em 1931, quando ainda morava no Ceará com toda a família e o marido.
Já dos três tataranetos ela não esquece nada. Nem do marido, morto em 1946 por causa de uma úlcera que se rompeu e de complicações no fígado. Com alegria e espanto, dona Aurora diz que nunca imaginou que viveria tanto.
“Passei muita fome, enfrentei a seca do sertão, trabalhei tanto que nem sentia mais as mãos, de tanto calo. Mas não achei que chegaria até aqui. E graças a Deus com saúde”, diz.
A aposentada também se lembra de fatos importantes ocorridos no século, como as guerras mundiais e os levantes ocorridos no Brasil. E do medo que sentia quando ouvia falar disso. “Eu nem dormia à noite. Achava que a guerra ia chegar ao Ceará”, ri.
Desde os 7 anos de idade trabalhando para ajudar a mãe, viúva, dona Aurora não consegue ficar muito tempo parada. Entre seus afazeres diários estão o cuidado com a casa, em que mora com uma das filhas, o preparo da comida e o cultivo de plantas na garagem.
“Não tem serviço nessa vida que eu já não tenha feito. De trabalhar duro na lavoura a lavar e passar roupa para os outros. Não sei ficar parada. Nesses 100 anos, não fiquei nem um dia sem trabalhar.”
Mesmo com as atividades domésticas, que exigem sua concentração o dia inteiro, dona Aurora não consegue esquecer do passado, da vida feliz que teve com o marido e do respeito que existia entre ela, os irmãos e a mãe.
“Quando eu era criança, cantava uma cantiga de roda que dizia assim: ‘Sapateia, minha gente, aproveita a mocidade, que atrás vem a velhice, e a velhice traz saudade’. E eu sabia lá que essa velhice ia chegar para mim? Mas ela chegou. E trouxe junto a saudade.” (C.L.)
 

Espanhol de 101 anos fez
seguro aos 45 temendo morte

O espanhol Benito Pacheco Lomba, 101 anos completos em 13 de dezembro último, é precavido. Chegou ao Brasil em novembro de 1915, sozinho, sem dinheiro e com um emprego garantido em uma olaria em General Glicério, onde o irmão mais velho já trabalhava.
Desde os primeiros dias, passou a juntar dinheiro para construir sua vida no país estranho e formar uma família. As economias se multiplicaram e hoje ele soma um patrimônio considerável, já distribuído entre os cinco filhos, todos formados. Seu objetivo foi alcançado: deu segurança à família não só enquanto todos estiveram sob seu teto, mas mesmo depois que constituíram cada um a sua própria família.
Foi também por precaução que, em 1944, pensando em garantir a estabilidade da mulher, Rosária Rull, seu Benito fez um seguro de vida, para o caso de morrer antes dela. Mas o cuidado foi em vão: o imigrante enterrou a esposa há 13 anos, e continua com saúde e disposição.
“Nunca imaginei que chegaria ao ano 2000. Pensei que iria morrer aos 60 anos. Só cheguei até aqui porque minha vida sempre foi muito regrada, com horários para tudo”, ensina.
Seu Benito tem boa saúde, memória impecável e força para se locomover sem precisar de ajuda. Mas enxerga mal e quase não escuta mais. “Não sou doente, mas estou acabado”, diz, rindo.
Bem-humorado, o imigrante espanhol diz que não tem saudade de nada do passado, e acredita que o homem fez muitas coisas boas pela humanidade neste século, embora tenha feito outras ruins.
“Antes não havia carro, avião, televisão e rádio. As mulheres não podiam sair de casa. Agora, se sabe de tudo o que acontece no mundo e a mulher está tomando o lugar do homem. Mas também há a violência, bomba atômica e guerras”, conta.
Mesmo lúcido e com saúde, no entanto, seu Benito diz que está cansado de viver. “Toda noite quando durmo, penso em não acordar no dia seguinte. Não tenho mais interesse nenhum na vida.” (C.L.)
 
 

VIVÊNCIA/ Benito Lomba diz não ter saudade do passado
 



 

BIRIGÜI
Polícia apreende peças de
couro roubadas em Goiás

A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Araçatuba apreendeu ontem pela manhã, em um depósito de Birigüi, 400 peças de couro que foram roubadas em um curtume de Inhumas (GO). O material, avaliado em R$ 35 mil, faz parte de um total de 800 peças roubadas no dia 11 deste mês.
Ninguém foi preso. O delegado Jaime José da Silva, que comanda as investigações, chegou ao local depois de ser informado por um comerciante que um homem identificado apenas por Luiz havia oferecido o couro por um valor muito abaixo do mercado. Silva foi até a empresa em Birigüi onde esse Luiz trabalharia e descobriu que os dois funcionários com esse nome não têm ligação com o ramo de couro.
Na seqüência, o delegado foi informado sobre o depósito, na rua Profª Geracina Menezes Sanches, 323, Vila Stábile, onde encontrou o couro roubado. Silva descobriu que o depósito foi alugado pelo período de um mês por um homem identificado como Evaldir Jordão, mas ele também não foi localizado.
O couro pertence à filial de Goiás da empresa Sardesa Brasil, com sede no Rio Grande do Sul. As peças serão levadas para um curtume de Araçatuba enquanto o caso estiver sendo investigado.
 
 

Foto: José Marcos Taveira

BARATO/ Peças de couro roubado apreendidas pela polícia
 



 

PIACATU
Escola de marcenaria amplia
opções de trabalho ao jovem

Nany Fadil

Adolescentes carentes de Piacatu estão tendo a oportunidade de deixar as ruas e aprender uma profissão. Na semana passada, começou a funcionar a Escola Profissionalizante de Marcenaria. Trinta e dois jovens estão aprendendo gratuitamente as técnicas da profissão, que servirá como uma qualificação dentro do mercado de trabalho.
O curso é constituído por 16 etapas. O tempo de duração varia de acordo com o desempenho de cada estudante, mas estima-se que o aprendizado completo ocorra num período entre 12 e 24 meses. A metodologia segue os padrões do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Os estudantes vão aprender a fabricar brinquedos, artefatos para cozinha, prateleiras, estantes, móveis, entre outros.
A escola funciona em três períodos. Cada turma é formada por 12 alunos, mas esse número deve ser ampliado para 15, devido à grande procura. A única exigência da escola é que os estudantes tenham idade mínima de 14 anos. Algumas moças também se inscreveram, mas ainda não compareceram às aulas.
Na primeira etapa do curso, os jovens aprenderão a lidar com as ferramentas manuais. Só daqui a cinco meses, eles aprenderão a mexer com o maquinário elétrico.
O professor de marcenaria João da Silva Mendonça explica que os alunos receberão todas as instruções teóricas sobre o maquinário elétrico antes de manuseá-lo.
O projeto da escola é do prefeito Paulo César Navacchio (PSDB). Para viabilizá-lo, foi firmada uma parceria com a Secretaria Estadual de Ciências e Tecnologia, que disponibilizou R$ 13,5 mil para a aquisição do maquinário. A prefeitura entrou com outros R$ 5 mil para a adequação do prédio.
Navacchio estima que, nos primeiros meses, a prefeitura tenha gasto mensal de R$ 1,5 mil com pagamento de salário do professor, aquisição de madeira e outras necessidades. “Estamos estudando a possibilidade de realizarmos feiras para vender os móveis feitos pelos alunos”, antecipa o prefeito.
Para o estudante Ronan Luís Evangelista, 14 anos, o curso está se mostrando como uma opção profissional. Ele vem de uma família de trabalhadores rurais, mas não pretende seguir os passos dos pais.
“Gosto de trabalhar com madeira, desde pequeno faço caminhões e outros brinquedos. Quero aprender marcenaria para não ter que trabalhar na roça”, diz.
 
 

Foto: Ademir Lopes

PROFISSÃO/ Mendonça orienta os estudantes em aula de marcenaria: qualificação garantida
 



 

Colunão

SANTA CASA — O setor de hemodiálise da Santa Casa de Araçatuba foi furtado na madrugada de ontem. Ao chegar ontem ao local pela manhã, o chefe de segurança Carlos Roberto Geraldussi percebeu que uma das janelas da sala havia sido danificada e que ladrões haviam furtado três lâmpadas fluorescentes e dois rolos de fios, um de aproximadamente 50 metros e outro com cerca de 100 metros.

DINHEIRO — A Polícia Civil apreendeu na noite de anteontem uma nota falsa de R$ 50. O dinheiro foi levado à delegacia pelo comerciante Ramos Saad Júnior, que recebeu a nota de alguém que esteve em seu pesque-pague, na avenida Odorindo Perenha, em Araçatuba. A nota ficou entre o restante do dinheiro movimentado e o comerciante só percebeu que era falsa no final do dia. Ele não soube dizer quem a passou.
 



 


Veja material especial da retrospectiva