Capa
Opinião
    Editorial
Periscópio
Artigos
Charge
Economia
Negócios
Cidades
Disque-Folha
Entrelinhas
Cena urbana
Agenda
Esportes
Caderno 2
Cinema
Agenda
  Televisão
Horóscopo
Coluna social
Folhinha
Classificados
 
Como assinar
Edições           anteriores
História

Cidades

CASO DOS CHEQUES
Rezek diz que pagou Cinti

Nelson Gonçalves

O ex-deputado estadual e vereador eleito Sidney Cinti (PSDB) pediu R$ 380 mil, aceitou R$ 180 mil e recebeu até agora R$ 30 mil em dinheiro para não ser candidato nas últimas eleições. Foi essa a versão apresentada ontem na Justiça pelo publicitário Flávio Abou Nasser e pelo pecuarista e ex-deputado federal João Jorge Rezek (PMDB) para justificarem dois cheques no total de R$ 150 mil emitidos por Nasser e protestados por Sidney Cinti. Os cheques, em favor de Cinti, foram emitidos no mesmo dia em que era anunciada a candidatura do agrônomo Sérgio Paoliello (PSDB) à prefeitura de Araçatuba.
O depoimento dos dois ao juiz eleitoral e da 1ª Vara Criminal, Márcio Eid Sammarco, demorou quase duas horas e foi acompanhado pelos advogados Wilton Osório Meira Costa e Rogério Costa Chibeni Yarid, contratados por Cinti para executar os cheques não pagos porque foram sustados por Nasser; e pelo advogado Emídio Barone, que acompanhou Rezek. Cinti não compareceu. A ação de justificação contra Cinti foi promovida pelo promotor eleitoral Sérgio de Assis, que ao final declarou que “o Ministério Público fica frustrado de não ter instrumento legal para esse tipo de conduta”. Segundo o promotor, a legislação não prevê crime e nem irregularidade eleitoral. “A omissão da lei é imperdoável”, lamentou.

CONTRADIÇÕES - Rezek e Nasser se contradisseram sobre o valor solicitado por Cinti para não ser candidato a nenhum cargo eletivo nas últimas eleições. Enquanto Nasser afirmou ter sido procurado em sua empresa por Cinti, que teria lhe pedido R$ 380 mil, Rezek disse que a solicitação era de R$ 360 mil. Nasser também afirmou que Rezek foi quem lhe deu respaldo, em nome do movimento SOS Levanta Araçatuba, para a emissão dos cheques. Rezek disse só ter tido conhecimento da negociação depois que os cheques foram emitidos. “Fiquei sabendo depois que ele (Nasser) deu os cheques e quem iria cobrir era o SOS e os partidos porque ele foi autorizado a sentar na mesa com Cinti”, disse.
Nasser revelou que Sérgio Paoliello e o jornalista Geraldo Coelho também sabiam da negociação porque foram testemunhas da conversa dele com Cinti na agência JA&C. “Ele (Cinti) que nos procurou e solicitou R$ 380 mil para deixar de ser candidato”, lembrou Nasser. “Evidentemente não poderia tomar providência nenhuma sozinho e consultei o SOS, na pessoa do senhor João Rezek. No mesmo dia, ficou acordado em R$ 180 mil pagáveis da seguinte forma: R$ 30 mil para 30 de junho, R$ 40 mil para 30 de julho, R$ 50 mil para 30 de agosto e R$ 60 mil para 30 de setembro. Consultei o seo João por telefone e ele concordou com o valor e disse que o grupo iria honrar o compromisso desde que ele não fosse candidato a nada”, contou.

GARANTIA - Ainda segundo Nasser, o cheque de R$ 30 mil dado a Cinti foi resgatado em dinheiro por ele mesmo dali a uma semana, quando foram emitidos outros dois cheques, referentes ao pagamento das três parcelas restantes do acordo. “Como só tinha duas folhas de cheque, somei os dois últimos valores e emiti um cheque de R$ 110 mil para que no dia da terceira parcela do acordo ele viesse buscar os R$ 50 mil e levasse outro cheque de R$ 60 mil”, explicou Nasser.
Tanto Rezek como Nasser afirmam acreditar na Justiça de que não terão que pagar os dois cheques em poder de Cinti. “Se for preciso pagar os cheques, vamos ajudar o Flávio”, informou Rezek. “Ele é companheiro e companheiro não se pode deixar na mão”, disse. Nasser disse que não vê a hora de os cheques serem executados. “Aí quero ir na Justiça para resolver isso de vuma vez por todas.”

QUEBRA - Nasser e Rezek se sentiram traídos quando Cinti se lançou candidato a vereador. “Não queríamos que ele fosse candidato a nada porque tínhamos pesquisa mostrando o Cinti como o segundo mais rejeitado”, afirmou Nasser. “Ele havia nos dito que tinha um emprego em São Paulo e era lá que iria ficar, dando assessoria para o Mário Covas”, contou.
“Ele vinha na surdina fazendo campanha para vereador”, lembrou Rezek. “E a pesquisa dava que o nome dele não melhoraria em nada a nossa campanha.”

Foto: Ubiratã M. de Souza

DEPOIMENTO/ O pecuarista Jorge Rezek dá entrevista após audiência no Fórum
 
 

Foto: Ubiratã M. de Souza

NEGOCIAÇÃO/ O publicitário Flávio Nasser durante depoimento ontem sobre cheques
 
 

Cinti diz que Nasser é mentiroso

O ex-deputado estadual e vereador eleito Sidney Cinti (PSDB) voltou a reafirmar ontem ter sido contratado pela agência de publicidade de Flávio Abou Nasser para prestar trabalho como consultor de marketing político nas últimas eleições. Ele disse não ter comparecido ao Fórum ontem porque ficou com medo de perder a paciência e partir para agressão ao publicitário.
Cinti negou ter recebido R$ 30 mil em dinheiro e R$ 150 mil em cheques para não ser candidato nas últimas eleições. “Não recebi nada, além desses cheques que não foram pagos”, afirmou.
“Como não era obrigada minha presença no Fórum e eu só compareceria se quisesse, quis evitar me encontrar com esse sujeito (Nasser), que me deve, é um caloteiro e mentiu em juízo”, disse.
“Ele é um mau caráter. Não quis ir lá para não ver esse sujeito contar mentira. E fiquei preocupado, pois se tivesse comparecido poderia ter dado um ‘coro’ nele.”
Cinti ainda ironizou o fato de Nasser e o pecuarista João Rezek terem comparecido ao Fórum acompanhados de advogado. “Eu nunca vi testemunha ir para uma audiência acompanhada de advogado”, afirmou.
“Segundo me consta, os dois ficaram o dia inteiro conversando com o advogado para afinar o discurso... Tudo que falaram é mentira. Esse sujeito é um mentiroso. E quem fala mentira é perigoso. Ele me contratou profissionalmente, executei meus serviços e ele não me pagou porque é um caloteiro.”
Segundo Cinti, Nasser está mentindo quando afirma não saber da execução dos seus cheques. Cinti exibiu cópia protocolada, no último dia 15, da ação de execução, instruída por seus advogados contra Nasser para cobrar os cheques de R$ 40 mil e R$ 110 mil. “E meu advogado falou esse tempo todo com ele para avisar da ação de execução”, disse.
“Eu trabalhei e quero receber. Só não entrei com a ação antes porque estava esperando receber o meu 13º salário para pagar as despesas do protesto.”
De acordo com a ação, os cheques estão sendo executados com juros de 0,5% ao mês e correção monetária. Para pagar o cheque de R$ 40 mil ainda neste mês, Nasser terá de desembolsar R$ 1.333,97 a mais e, para pagar o de R$ 110 mil, R$ 3.668,43, além das despes as do protesto, que até o final de dezembro totalizam R$ 389,33. (N.G.)

Foto: Paulo Gonçalves  18/12/2000

AÇÃO/ Sidney Cinti diz que já executou cheques de Nasser
 

Ministério Público vai arquivar investigação

José Marcos Taveira

O promotor Sérgio de Assis não vai pedir à Justiça Eleitoral a instauração de ação para cassar o mandato do vereador eleito Sidney Cinti (PSDB). Ele entende que não há provas que comprovem abuso econômico durante a campanha.
A investigação do caso foi concluída ontem à tarde, depois que o pecuarista João Rezek e o publicitário Flávio Abou Nasser foram ouvidos pelo juiz eleitoral Márcio Eid Sammarco.
Assis explicou que “não há previsão legal de crime ou irregularidade” no recebimento de dinheiro para que Cinti não saísse candidato. Cinti correria o risco de perder o mandato apenas se tivesse recebido os R$ 180 mil do movimento SOS Levanta Araçatuba para que fosse usado em sua campanha, o que poderia configurar abuso de poder econômico.
O promotor diz ainda que os partidos que não concordarem com a decisão de arquivar as investigações podem entrar na Justiça com pedido de ação de impugnação de mandato eletivo. Isso é previsto no artigo 14, parágrafo 10 da Constituição Federal. O prazo é de 15 dias após a diplomação dos eleitos, que ocorreu no último dia 18.
 



 

ESTRADAS
Acidentes aumentam na região

Mário Policeno

O número de acidentes nas rodovias e estradas da região de Araçatuba, durante o feriado de Natal, foi maior em relação ao mesmo período de 1999, porém o número de mortes caiu. De acordo com o balanço da Polícia Militar Rodoviária, divulgado ontem, no final da Operação Natal, houve 17 acidentes. A operação durou do meio-dia de sexta-feira ao meio-dia de ontem. Em 1999, foram 13 acidentes.
Porém, no ano passado foram registradas três vítimas fatais, além de 14 feridos (9 graves e 5 com pequenos ferimentos). Neste feriado prolongado de Natal, houve apenas uma morte nas rodovias de Araçatuba e região. O número de feridos foi 10 (todos com ferimentos leves).
Já o número de multas aplicadas pelos policiais aumentou de 413 (no Natal do ano passado) para 479 (neste ano). Desses, 187 foram por excesso de velocidade (contra 160, em 1999). Foram apreendidos oito veículos (11, no ano passado), 10 documentos de licenciamento vencido (19 em 1999) e três habilitações irregulares (6, no ano passado).
O capitão Cláudio Mercadante, comandante da base operacional da Polícia Rodoviária de Araçatuba, comemorou a redução das mortes. “O ideal é que nem haja feridos nos acidentes, mas é bom saber que o número de vítimas fatais caiu”, declarou. Outro destaque, de acordo com ele, é que não houve registro de motoristas embriagados.
A Polícia Rodoviária de Araçatuba atua em 10 rodovias estaduais da região, oito vicinais e 22 acessos a municípios. A Operação Natal empregou o efetivo total — 112 policiais — que fiscalizaram os trechos mais perigosos.
O capitão estima que aproximadamente 40 mil veículos trafegaram pelas rodovias, durante os quatro dias. O movimento maior foi no sábado. O retorno do feriado, na segunda-feira, teve poucos veículos nas estradas. Segundo Mercadante, isso significa que as pessoas deixaram para voltar depois do ano-novo. Ele recomenda que o retorno seja antecipado para que os motoristas não enfrentem problemas no trânsito.
 
 

Foto: Lécio Jr.

MOVIMENTO/ Cerca de 40 mil veículos trafegaram pelas rodovias da região de Araçatuba
 



 

VIOLÊNCIA
Servente leva tiros de raspão na cabeça

O servente de pedreiro Edval da Silva Santos, 22 anos, levou três tiros de raspão na cabeça, por volta de 0h10 de ontem, na rua Marcílio Dias, próximo ao cruzamento com a rua Yampei Kikuchi, no bairro Paraíso. Apesar de os tiros terem sido disparados a queima-roupa, ele sofreu apenas escoriações.
Santos disse ontem à Folha da Região que o autor dos tiros é um homem que ele conhece como Gilmar e mora na rua Marcílio Dias. O servente contou que Gilmar é parente de seu primo e tentou matá-lo por causa de uma discussão envolvendo parentes. Ele foi atendido no Pronto-Socorro Municipal e liberado em seguida. (F.X.)
 



GLICÉRIO
Bombeiros localizam afogados

Fábio Xizawa

Homens do Corpo de Bombeiros de Birigüi e Penápolis localizaram na tarde de ontem os corpos de Ronaldo Benevente, 26 anos, e Márcio Luschi, 31, que haviam desaparecido no rio Tietê após o naufrágio de uma lancha, no domingo, por volta das 16h, próximo ao condomínio Castelamare, no distrito de Juritis, em Glicério.
Os bombeiros encontraram o corpo de Benevente às 15h50, boiando próximo à região onde ocorreu o acidente. Luschi foi localizado já no final da tarde, após uma breve interrupção nas buscas por causa do mau tempo. Os corpos foram levados para Penápolis.
Segundo informações de familiares, foi Benevente quem insistiu para que o proprietário da lancha, o mecânico Domair Alexandrino, 36, saísse para um passeio levando mais quatro pessoas. Eles informaram que foram até o rancho passar a tarde, sem a intenção de sair com a lancha e, por isso, não levaram coletes.
Benevente, que veio de Mogi das Cruzes passar o final de ano com a família, estava insistindo para Domair sair com o barco. O mecânico chegou a esconder a bateria e disse que a lancha estava sem combustível. Ele não queria colocar a embarcação na água, porque o tempo não estava bom.
Benevente tirou a bateria e o combustível de seu veículo e insistiu em dar um passeio de lancha. Domair acabou concordando e saiu levando os primos Antônio Alexandrino, 41, de Mogi das Cruzes, Sebastião Alexandrino, 46, de Santo André, e Benevente e Luschi, de Jundiaí.
O forte vento provocou ondas que acabaram naufragando a embarcação. Domair disse ontem que, antes da lancha afundar, ele conseguiu retirar um tanque de combustível que não estava cheio, e serviu para Luschi tentar usar como bóia. Domair, Sebastião e Antônio conseguiram nadar até a margem.
O comandante da operação de buscas, sargento João Toshinobu Maeda, do Corpo de Bombeiros de Penápolis, disse que ontem à tarde as buscas passaram a ser superficiais. Os mergulhos foram interrompidos pela manhã porque não havia mais a possibilidade do corpo estar no fundo da represa. Maeda explicou que o piloto de uma embarcação nunca deve sair se não houver coletes salva-vidas para todos ocupantes ou possuir habilitação para navegação. Ele também não deve ingerir bebida alcoólica se for pilotar. É preciso ainda estar atento às condições do tempo.
 
 

Foto: Paulo Gonçalves

BUSCAS/ Bombeiros durante as buscas dos dois corpos que desapareceram no rio Tietê
 

Mais um afogamento na região

O Corpo de Bombeiros registrou um terceiro afogamento na região. Ontem, por volta das 15h30, Adilson Ismael, 27 anos, de Campinas, morreu afogado no rio Tietê, no trecho próximo a Buritama.
Ele estava no condomínio Riviera Santa Bárbara, acompanhado da esposa, filhos e de parentes de Birigüi. De acordo com a delegacia de polícia de Buritama, o afogamento aconteceu quando Ismael tentou apanhar uma bola que havia caído na água. Ela estava distante da margem. Na tentativa de alcançá-la, Ismael acabou afundando. A própria família retirou Ismael da água, mas ele não resistiu e morreu a caminho do hospital de Buritama.
A notícia chegou a confundir os bombeiros que faziam buscas às vítimas do acidente de lancha, próximo a Glicério. Como a identidade de Ismael demorou a ser confirmada, os bombeiros imaginaram que poderia ser o corpo de Márcio Luschi, que até à noite permanecia desaparecido. (Mário Policeno)
 



 

ANDRADINA
Bombeiros recebem doação de gasolina

Jean Oliveira

O Corpo de Bombeiros de Andradina está atendendo as emergências neste fim de ano com combustível doado pelo comércio e por empresários. Isso porque a prefeitura, que deveria doar a gasolina para a equipe de resgate, cortou o benefício alegando contenção de despesa.
Segundo a direção da corporação, na semana passada, foram doados 30 litros de gasolina. O combustível foi usado no final de semana e no Natal. Neste período, as vítimas de acidentes foram resgatadas graças à doação.
Na prefeitura, a informação é de que o abastecimento será normalizado até o próximo fim de semana. Porém, não foi divulgado o dia em que o combustível será liberado. “Estamos estudando a situação”, disse a prefeita Edna Brito (PRP).
Atualmente, além das ocorrências de acidentes, os bombeiros prestam o atendimento que deveria ser feito pelas ambulâncias da cidade, que não conseguem atender todos os chamados. Neste ano, os soldados da corporação já fizeram até mesmo partos.
 

ADMINISTRAÇÃO
Departamentos da prefeitura se
dedicam ao serviço burocrático

Jean Oliveira

A maioria dos departamentos da prefeitura de Andradina trabalha esta semana apenas em serviços burocráticas. Os departamentos Agrícola, de Obras, Educação, Trânsito, Assistência Social, Tesouraria e canil não prestarão serviços à comunidade.
Apenas o Procon, que funciona com funcionários municipais, e os departamentos de Água, Tributação e Saúde devem funcionar normalmente.
A prefeita Edna Brito (PRP) não tem atendido mais a população no gabinete. “Vamos autorizar apenas os serviços essencialmente necessários”, disse.
Segundo o assessor de imprensa da prefeitura, Vanderlei Silva Leão, o expediente dos órgãos municipais se estende somente até amanhã, às 18h.
Para a prefeita, a semana será marcada por negociações para pagamento de R$ 270 mil do 13º salário dos 1,2 mil servidores públicos municipais.
Ela disse que conseguiu parte da verba, mas que o pagamento depende da arrecadação de tributos e de repasse de recursos dos governos estadual e federal. Fontes do Departamento de Finanças informaram que já estão garantidos R$ 150 mil.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, José Mário Dias, afirmou que a categoria não pretende realizar novos protestos. “Vamos respeitar o final de governo e tenho plena confiança que o dinheiro será liberado para os trabalhadores”, disse.
Na opinião dele, o esforço da prefeita é uma vitória do protesto realizado pela categoria em frente à prefeitura na semana passada.
Os convênios com supermercados e lojas da cidade já foram restabelecidos.
 

SEM-TERRA
Projeto do MST combate analfabetismo

Cláudia Russo

Cerca de 40% dos cerca de 1,2 mil assentados na região de Andradina são analfabetos, segundo levantamento da diretoria regional do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). Para o diretor estadual do MST, Rosivaldo de Paula, o alto índice de analfabetismo ainda é causado pela falta de interesse dos trabalhadores em se alfabetizar depois de adultas.
Há quatro anos, a regional do MST tenta aumentar o nível de instrução por meio do projeto de combate ao analfabetismo desenvolvido dentro dos assentamentos. Nesse período, mais de 200 pessoas foram alfabetizadas.
“Muitos chegam cansados do trabalho e têm pouco ânimo para estudar. Mas temos procurado aumentar a participação nas aulas através de conversas para convecer sobre a necessidade da instrução”, explica Paula.
Pelo programa — iniciado pioneiramente em 97 nos assentamentos Primavera, Timboré (ambos em Andradina), Rio Paraná (Castilho) e Esmeralda (entre Mirandópolis e Castilho) — pessoas que sabem ler e escrever servem de monitores para quem quer aprender.
A princípio, as prefeituras colaboravam oferecendo materiais didáticos e equipamentos, como carteiras, lousas e gizes, e o MST aplicava recursos próprios para custear professores.
Há dois anos, o modelo foi copiado em todo o país e hoje conta com recursos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e ainda com a parceria da Unesp (Universidade Estadual Paulista), que entra com a qualificação profissional dos monitores.
O convênio, com verba repassada por meio do Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), foi renovado este mês e vai garantir o funcionamento de dez salas de aula, cada uma com 15 alunos, nos quatro assentamentos.
O recurso de R$ 136 mil, válido por 14 meses, será dividido entre 14 municípios do Estado. O dinheiro é usado para pagamento dos monitores, que recebem média de R$ 120 como ajuda de custo. Na região, os monitores serão capacitados pela Unesp de Presidente Prudente
Conforme informações da Assessoria de Comunicação Social, o Incra ainda não repartiu a quantia a ser liberada para cada município. O montante vai depender do número de alunos a serem beneficiados. O levantamento de cada cidade deve ser realizado pelos escritórios do Itesp (Instituto de Terras de São Paulo). Na região de Andradina, o projeto deve atender 150 jovens e adultos.
 



 

BURITAMA
Santa Casa usa
método novo para
cura da catarata

Nany Fadil

A Santa Casa de Misericórdia de Buritama é a única no interior do Estado de São Paulo a realizar a cirurgia de catarata em pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) pela técnica de facomulsificação e lançar a despesa como se fosse o procedimento tradicional, que é mais barato. Este ano, foram realizadas mil intervenções. O valor repassado pelo SUS para cada cirurgia é de R$ 443.
Há cerca de um mês, o Ministério da Saúde anunciou incentivo ao método de facomulsificação, mas apenas para hospitais universitários de São Paulo. O incentivo se deve ao fato de o procedimento ter várias vantagens sobre o método tradicional.
O oftalmologista Nélio Capelanes Carniato, responsável pelas cirurgias em Buritama, explica que na facomulsificação, a incisão é de apenas três milímitros, e não há necessidade de retirar a catarata. Um aparelho em formato de caneta é introduzido pela abertura e o ultrassom dissolve e absorve a lente natural do olho.
Todo o procedimento leva em média 15 minutos para ser realizado. A anestesia é local e as duas principais vantagens da técnica são a recuperação rápida (o paciente volta a enxergar no dia seguinte ao da operação) e o fato de não ser necessária a internação.
Na cirurgia tradicional, que dura em média um hora, a incisão é de 12 milímitros, o pós-operatório é dolorido e demorado e, às vezes, é necessária a internação do paciente por pelo menos um dia.
Nélio Carniato é também o responsável pelo Instituto de Olhos de Buritama, clínica particular que realiza cirurgias oftalmológicas. “A cirurgia com a nova técnica é realizada como uma forma de prestação de serviço para a Santa Casa”, informa.
Ele recebe R$ 125 por cada procedimento feito pelo SUS. Em sua clínica, a cirurgia custa R$ 3 mil.
A catarata se desenvolve por causa de idade avançada e o conseqüente cansaço da lente natural dos olhos, ou porque essa lente acaba ficando “suja” com o passar dos anos. Na cirurgia, a lente é retirada do olho e substituída por uma outra, artificial.
 



 

SANTO ANTÔNIO DO ARACANGUÁ
Prefeito é acusado por superfaturamento

Cláudia Russo

O prefeito de Santo Antônio do Aracanguá, Yoshihito Zito (PFL), está sendo acusado de superfaturamento na compra de um ônibus para transporte escolar. Na ação movida pelo promotor Wagner Juarez Grossi, o veículo comprado por meio de licitação em abril de 99 estaria cerca de R$ 14 mil em desacordo com o preço real de mercado.
No processo que apura a improbidade administrativa, Grossi pede a suspensão dos direitos políticos de Zito por até oito anos, a devolução do dinheiro aos cofres públicos e a proibição da empresa Montbus Ltda, que vendeu o ônibus à prefeitura, de participar de concorrências públicas por cinco anos.
O ônibus ano 85/modelo 86, utilizado para transportar estudantes do ensino fundamental, foi comprado por R$ 36,5 mil, mas o laudo solicitado pelo Ministério Público indicou que o veículo valia em média R$ 22 mil. A avaliação foi feita por três empresas da cidade, depois que o vereador Laércio Francisco Ribeiro (PSDB) denunciou à Promotoria o superfaturamento.
O prefeito, que teve duas vezes o mandato cassado em 99 por denúncias de improbidade administrativa, mas foi absolvido em julgamento final, ainda não foi notificado sobre a ação, protocolada semana passada, mas adiantou que poderá se defender com muita tranqüilidade.
Zito vai alegar que a empresa apresentou o menor preço da concorrência e que o ônibus foi comprado por preço superior ao valor de mercado por ter passado por reforma de motor e funilaria.
O prefeito sustentará ainda que o ônibus foi sabotado por seus inimigos políticos antes de ser avaliado pelas empresas solicitadas pelo Ministério Público. “Eles queriam que o ônibus aparentasse menos valor e mexeram em suas peças”, diz. Zito não citou nomes que possam ter participado da possível sabotagem.
 
 

Foto: Arquivo FR - 5/5/99

DEFESA/ O prefeito Yoshihito Zito diz que ônibus foi sabotado por inimigos políticos
 



 

GUARARAPES
Fundo Social faz
casamento para
legalizar uniões

Eloisa Morales

O Fundo Social de Solidariedade de Guararapes promove hoje, às 17h, um casamento comunitário. A cerimônia de união civil será realizada no Instituto Nossa Senhora de Fátima e reunirá 37 casais.
Todos vivem juntos há mais de um ano e não teriam condições de pagar a taxa do casamento cobrada nos cartórios. Segundo a presidente do fundo, Maria Lúcia Silva, a legalização das uniões é uma forma de recuperar a cidadania desses casais.
Para realizar o casamento, o Fundo Social fez uma triagem dos interessados. Os critérios utilizados para a escolha dos casais foram a renda, o número de filhos e o tempo de união. Tiveram prioridade aqueles com renda de até dois salários mínimos, maior número de filhos e maior tempo de união. “Tem casais que vivem juntos há 20 anos. Alguns têm até os filhos já adultos”, afirma a presidente do fundo.
Durante a cerimônia, cada casal será chamado pelo juiz de paz, que irá legalizar o casamento e depois haverá a troca de alianças.
As inscrições para o casamento comunitário foram abertas em agosto. No total, 50 casais se inscreveram, mas alguns desistiram porque os documentos necessários não ficariam prontos a tempo.
 



BIRIGÜI
Servidores se recusam a fazer empréstimo

Harlen Félix

A maioria dos servidores municipais de Birigüi não fará o empréstimo no Banespa para garantir o pagamento do salário de novembro e do 13º. A decisão foi tomada ontem de manhã, em assembléia realizada pelo Sisep (Sindicato dos Servidores Públicos), da qual participaram cerca de 1,5 mil funcionários da prefeitura.
O projeto de lei que concede o abono nos quatro primeiros meses de 2001, como forma de pagamento dos juros do empréstimo, foi aprovado pelo Legislativo no último sábado, em sessão extraordinária, sob protesto dos cerca de 50 servidores presentes. O empréstimo seria feito em nome dos funcionários, e a prefeitura entraria como avalista.
Para o presidente do Sisep, Abrão Aparecido Suss, o empréstimo é arriscado, pois os servidores podem pagar os juros sozinhos caso o prefeito eleito Florival Cervelati (PL) não queira conceder o abono.
Segundo ele, mesmo com a lei aprovada, é difícil conseguir o dinheiro ainda este mês. “Um empréstimo leva cerca de dez dias para ser liberado. Preferimos ficar sem dinheiro e aguardar uma solução do novo prefeito.”
Os advogados do Sisep entraram com uma petição no Fórum de Birigüi solicitando informações da prefeitura sobre o montante arrecadado na dívida ativa neste mês. O presidente do Sisep ainda fez um apelo aos servidores que trabalham no setor de arrecadação para que voltem ao serviço. A greve branca impediu que os contribuintes quitassem seus débitos na dívida ativa, já que o cálculo tem de ser feito pelos funcionários da arrecadação.
Ontem, a greve branca continuou e o sertor de arrecadação manteve-se parado. Somente os serviços essenciais funcionaram, como a coleta do lixo e o atendimento nos postos de saúde e no Centro Médico Hospitalar.

Foto: Paulo Gonçalves 21/12/2000

PARADOS/ Servidores públicos de Birigüi parados em frente à Secretaria de Obras
 

Cervelati teme falta de recursos

O prefeito eleito de Birigüi, Florival Cervelati (PL), disse ontem que fará de tudo para garantir o pagamento atrasado dos servidores, mas teme que a prefeitura não conte com recursos suficientes no início de 2001.
“Até agora, os carnês de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) não foram concluídos e entregues. Sem recursos, será difícil saldar a dívida com o funcionalismo”, destacou.
Em janeiro, a única arrecadação com a qual Cervelati poderia contar seria a do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). O assessor de planejamento Carlos Marques garantiu que os carnês de IPTU estarão prontos amanhã e serão entregues até 15 de janeiro.
“Orientamos o Sisep (Sindicato dos Servidores Públicos) para entrar com a petição na Justiça pedindo o balanço da arrecadação da dívida ativa”, disse. (H.F.)
 

Valor do IPTU fica inalterado

O valor do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de Birigüi para 2001 será igual ao deste ano. O assessor de Planejamento da Prefeitura, Carlos Marques, disse que o IPTU não foi alterado por causa da estabilidade econômica.
Os carnês deverão ficar prontos até amanhã, quando começam a ser entregues pelos Correios. O pagamento da primeira parcela do IPTU, que tem vencimentos diferenciados para cada contribuinte, começa em 15 de janeiro. “Até lá, conseguiremos fazer a entrega de todos os carnês”, garantiu Marques.
Serão confeccionados 39,2 mil carnês de IPTU e outros 8,8 mil de ISS (Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza) e taxas municipais.
O contribuinte pode pagar com desconto à vista (15%)  ou parcelar em três vezes (5%). (H.F.)
 

Arrecadação de dívida ativa é insuficiente

O valor arrecadado pela prefeitura de Birigüi com a dívida ativa não é suficiente para pagar o salário de novembro e o 13º dos servidores municipais. A prefeitura arrecadou R$ 383.958 desde o início do mês, quando entrou em vigor a lei que concede a anistia de juros para quem quitar débitos inscritos na dívida ativa. O município deve aos seus funcionários cerca de R$ 3 milhões.
O prefeito José Roberto dos Santos (PSDB) deve enviar esse balanço ao Ministério Público entre hoje e amanhã, em resposta à liminar que bloqueou as contas da prefeitura para garantir o repasse dos atrasados ao funcionalismo.
A liminar, expedida na semana passada pela juíza Jacira Jacinto da Silva, determinava que os recursos arrecadados com o pagamento da dívida ativa durante este mês fossem destinados ao pagamento dos servidores.
O atual prefeito enfrenta agora um novo impasse para garantir o pagamento, já que o projeto de lei que concede abono ao funcionalismo, visando pagar juros do empréstimo a ser feito no Banespa, não foi aceito pela categoria.
A prefeitura teve problemas na semana passada, com suas contas bloqueadas no Banco do Brasil, Nossa Caixa e Banespa. Como não havia uma separação da arrecadação da dívida ativa e de outros tributos, as instituições bloquearam totalmente as contas, deixando muitos cheques sem compensação.
Além do balanço, o Executivo também vai solicitar à Justiça o desbloqueio imediato das contas, com o objetivo de liberar o dinheiro arrecadado. As informações serão analisadas pelo Ministério Público e enviadas à juíza, que dará a setença sobre o caso.
O secretário de Assuntos Jurídicos, Alberto Eugênio Gerbasi, discutirá hoje com o prefeito a situação da lei que concede abono aos servidores para o pagamento dos juros referentes ao empréstimo.
“O projeto era para tentar resolver o problema antes. Agora, os recursos serão liberados só em janeiro. Em virtude da própria burocracia do banco, o empréstimo acabará não sendo viável”, disse.
Conforme Gerbasi, a única opção imediata para eliminar o problema é utilizar a arrecadação da dívida ativa e de outros tributos, mas esse valor cobre apenas pouco mais de 10% do que é devido aos funcionários. (H.F.)
 



 

AVANHANDAVA
Festa do Peão começa hoje
com montaria em touros

Começa hoje, às 21h, a 17ª Festa do Peão de Avanhandava. O evento faz parte das comemorações de aniversário da cidade, que completa 75 anos na sexta-feira.
Para abrir a festa, 20 peões amadores se apresentam hoje à noite numa prova de montaria em touros. Apenas dois serão classificados para participar do rodeio profissional, que começa a partir de amanhã.
No total, 60 peões profissionais de duas companhias da região vão participar do rodeio. Eles irão participar de montarias em touros e em cavalos. Os cinco melhores de cada categoria serão premiados, mas até o final da tarde de ontem os valores dos prêmios ainda não haviam sido definidos.
O presidente da festa, Altemar Venâncio informou que a expectativa é receber durante os quatro dias de festa um público de aproximadamente 10 mil pessoas. Os portões serão abertos todos os dias à comunidade e a entrada será gratuita.
A festa será realizada no recinto de exposições Vitório Nanni Rinaldi e, além do rodeio, o público vai encontrar barracas de alimentação, parque de diversões e um barracão montado com espaço para bailes.
No sábado, último dia da festa, será promovido um desfile com a participação de tropas da região. À noite, haverá queima de fogos.  (E.M.)
 



 

Rápidas

ROUBO - A cabeleireira Cleusa de Souza Baroni, 43 anos, foi vítima de um roubo. Ela foi assaltada anteontem, às 23h50, quando passava pelo cruzamento das ruas Luiz Pereira Barreto e José Bonifácio, no centro de Araçatuba. De acordo com informações do Boletim de Ocorrência, dois homens em uma CG-125, modelo Titan, vermelha, se aproximaram e pegaram a bolsa dela, que estava com um talão de cheques da Nossa Caixa Nosso Banco, documentos pessoais e R$ 94. Ainda conforme informações da polícia, após roubar a bolsa, os ladrões fugiram.

ALGEMA - A Polícia Militar apreendeu anteontem, às 9h, uma algema de ferro, fabricada na China. O estudante B.H.R.L.A., 17 anos, pegou o brinquedo para se algemar e não conseguiu se soltar. Ele contou que a algema estava em um saco de brinquedos que sua prima havia recebido como presente de Natal. A algema não tinha chave. O estudante afirmou que se algemou e, quando foi tirar o equipamento de seus punhos, percebeu que estava travado. A PM foi chamada para abrir a algema e apreendeu o suposto brinquedo. A Polícia Civil deverá abrir um inquérito para apurar a origem da algema.
 



 

Falecimentos

25/12 - Obedes Fernandes de Oliveira, 29 anos, comerciante, natural de Paulista (PE), solteiro. Deixa um filho.
24/12 - Catharina Dias Sanches, 88 anos, aposentada, natural da Espanha, viúva de Bartolomeu Sanches. Deixa 5 filhos.
24/12 - Fernandes Fleury de Moraes, 50 anos, pedreiro, natural de Araçatuba, solteiro.
23/12 - Agenor de Souza, 72 anos, aposentado, natural de Rio Preto, viúvo de Benedita Moreira de Souza. Deixa 3 filhos.
22/12 - Mário Sérgio Pádua, 39 anos, pintor, natural de Araçatuba, solteiro. Deixa 1 filho.
20/12 - Flávio Paes, 57 anos, aposentado, natural de Guararapes, casado com Benedita Maria de Jesus. Deixa 6 filhos.

Informações fornecidas pelas funerárias Laluce (623-3131), Municipal (623-4552) e Cardassi (624-3900).