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História

Sábado, 2 de dezembro de 2000


ARAÇATUBA 92 ANOS

Foto: Valdivo Pereira


No momento em que Araçatuba completa 92 anos de emancipação, a Folha da Região quis saber o que essa população tem a dizer, quais são as expectativas. O aniversário da cidade acontece às vésperas do início de um novo século, de um novo milênio e de uma nova administração. Pesquisa feita pelo Instituto Banco de Dados Toledo ouviu 440 pessoas em 56 bairros da cidade no último fim de semana. Fundamentalmente, essa população quer ser melhor atendida pelos serviços públicos e que haja transparência no uso do dinheiro público.
 
 
EXPECTATIVA
Povo quer transparência 
e bom atendimento

     As principais expectativas dos araçatubenses para a cidade no início do próximo milênio são a transparência no uso do dinheiro público, com a consequente eliminação da corrupção, e a melhoria no atendimento prestado pelos serviços municipais, especialmente o de Saúde.
Pesquisa encomendada pela Folha da Região ao IBDT (Instituto Banco de Dados Toledo) mostra que 41,14% da população elegeram a melhor oferta desse serviço como seu principal desejo. Outros 19,32% gostariam que a cidade tivesse mais segurança, e quase a mesma quantidade - 18,41% - prefere que a infra-estrutura da cidade seja recuperada, com obras de asfalto, construção de galerias, implantação de iluminação e limpeza de ruas, entre outras coisas.
Em quarto lugar na escala de prioridades dos araçatubenses, segundo a pesquisa, vêm as melhorias na Educação, com 13,64%, seguidas de mais alternativas de lazer, apontadas como importantes por 7,5% da população.
Quanto ao serviço público, o desejo de transparência na administração municipal é apontado como a maior expectativa dos moradores da cidade: 41,59% afirmaram que gostariam que isso acontecesse para acabar com a corrupção.
Logo em seguida, vem a reivindicação de que a prefeitura ouça e encaminhe os problemas da comunidade, com 17,95% das respostas dos entrevistados. Os araçatubenses também esperam melhor atendimento nos serviços públicos (14,09%), diminuição do desperdício (13,41%), redução do número de servidores públicos (8,18%) e redução da burocracia (4,77%).
No setor de Saúde, a população manifestou o desejo de encontrar mais médicos e especialidades nos postos de saúde, conforme aponta a resposta de 30,45% dos entrevistados. Os moradores da cidade também acham que o agendamento de consultas na rede pública deveria ser agilizado (22,27%).
Mesmo depois da recente inauguração de um pronto-socorro e um hospital e maternidade pela atual administração, 29,91% dos araçatubenses solicitam a construção de hospitais.
O baixo número de creches para crianças também é um problema que merece, na opinião de 39,41% dos araçatubenses, investimentos prioritários na cidade. Outras pessoas dizem que as creches existentes deveriam funcionar em horário integral e aceitar a matrícula de crianças entre 0 e 6 anos de idade (24,15%).
Nas escolas de ensino médio e fundamental, a maior preocupação da população é com a falta de segurança. O aumento da segurança é o que desejam 33,48% dos moradores do município. A melhoria na qualidade de ensino também é uma expectativa de 23,98% da população.
A falta de segurança nas ruas também preocupa os araçatubenses, e 30,66% deles gostariam de ver aumentado o policiamento ostensivo. Outros 21,28% preferem que sejam criadas mais bases comunitárias de segurança, nos bairros.
A atual administração municipal foi alvo de críticas de 77,05% dos entrevistados, que consideram os serviços prestados pelo Poder Executivo insatisfatórios.
Essa avaliação aumenta a responsabilidade do próximo prefeito, Jorge Maluly Netto (PFL), já que  90% acreditam que a qualidade de vida vai melhorar na cidade nos próximos anos. “Temos um plano de governo para ser cumprido nos quatro anos de mandato, mas todas as secretarias vão ter de mostrar a que vieram nos cem primeiros dias de governo.”
 
 
 
Foto: Valdivo Pereira
HERANÇA/ O prefeito eleito, Maluly Netto, observa a cidade que começa a administrar daqui um mês; expectativas da população aumentam sua responsabilidade 

 






Pesquisa
ouviu 440
pessoas

       A pesquisa sobre as expectativas de qualidade de vida da população de Araçatuba foi realizada pelo IBDT (Instituto Banco de Dados Toledo) a pedido da Folha da Região. Foram ouvidas 440 pessoas em 56 bairros da cidade. O objetivo foi levantar como a população de Araçatuba avalia a cidade e o que espera que seja feito para melhorar sua qualidade de vida. 
O questionário, contendo 25 perguntas, foi passado no dias 25 e 26 de novembro. As respostas foram estimuladas, ou seja, o entrevistador apresentou as alternativas para o entrevistado apontar. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais e para menos.
Dos entrevistados, 229 são homens, ou 52,05% do total, e 211, ou 47,95%, são mulheres. Adultos entre os 25 e os 34 anos de idade foram os mais abordados: 111 pessoas, ou 25,23% do total.
A maioria das pessoas que participaram da pesquisa - 369 dos ouvidos, ou 83,94% do total - mora na cidade há mais de dez anos. Foram entrevistados também 13 recentes moradores (2,98%), que estão no município há menos de dois anos.
 
 

SAÚDE
Prédios são novos, 
mas filas continuam

      A Prefeitura de Araçatuba investiu na Saúde neste ano, mas ainda não conseguiu apagar a má imagem do setor. Os investimentos melhoraram a condição física, a infra-estrutura dos postos, mas o atendimento ainda demora, principalmente pelo número insuficiente de médicos.
Entre as reivindicações da população em relação ao setor, segundo a pesquisa do IBDT (Instituto Banco de Dados Toledo) encomendada pela Folha da Região, estão a melhor oferta de serviços (41,14%), a contratação de mais médicos de diversas especialidades (30,45%), a maior rapidez na marcação de consultas (22,27%) e o fornecimento de mais remédios (12,05%).
Depois da estação de tratamento de esgoto, a mais importante obra da prefeitura neste ano foi a construção do novo Pronto-Socorro Municipal, um prédio de 1.500 metros quadrados no bairro Aviação, que ampliou de quatro para 26 o número de leitos e custou R$ 700 mil. Resolveu o problema da falta de espaço e o desconforto do antigo PS, localizado na rua São Paulo, mas os usuários ainda demoram nas filas.
Outra obra importante no setor de saúde é o Hospital da Mulher, iniciado na primeira gestão da prefeita Germínia Venturolli (PRP) e paralisado por 10 anos. Ele tem 54 leitos, centro cirúrgico e espaços para todas as áreas ligadas à maternidade. Foi inaugurado em 28 de setembro, mas até hoje ainda não iniciou o atendimento. Segundo a Secretaria de Saúde, estão sendo providenciados compra de materiais e contratação de funcionários.
Mesmo com essas obras, 29,91% dos entrevistados pelo IBDT querem a construção de mais hospitais, 19,18% esperam mais cuidados com a conservação dos prédios, 18,49% querem que o atendimento oferecido seja melhor e 24,43% querem que os serviços prestados sejam fiscalizados.
Segundo o prefeito eleito de Araçatuba Jorge Maluly Netto (PFL), a maior parte dos problemas do setor podem ser resolvidos com a implantação do programa Médico da Família, a criação de uma clínica de especialidades e a informatização da prefeitura, que pode proporcionar o agendamento de consultas na unidade de Saúde em que houver horário disponível.
“Também tenho planos de construir pelo menos mais um pronto-socorro. Na verdade, a intenção é que sejam construídos quatro até o final do mandato, em 2004. No conjunto, todas essas medidas vão satisfazer as expectativas da população”, afirma o prefeito eleito.
No último ano de administração, a prefeita Germínia Venturolli também construiu quatro novas unidades básicas de saúde, nos bairros Umuarama, São José, São Rafael e Engenheiro Taveira. Outras foram reformadas, nos bairros   São João, Alvorada, TV e Planalto.
Todo o investimento, porém, não livrou o gráfico Celso Nicoletti de uma romaria para conseguir atendimento no último dia 22. Ele começou a sentir fortes dores no estomâgo quando trabalhava, por volta de 10h e foi levado por colegas de trabalho para a emergência da Santa Casa. A fila de pessoas para serem atendidas era imensa. O rapaz gemia de dor e os colegas o levaram para o pronto-socorro municipal. A fila era maior ainda e segundo a atendente, o médico nem havia chegado. Foi preciso levar o rapaz para ser atendido num hospital na cidade vizinha de Guararapes.
 
 

Foto: Paulo Gonçalves

INVESTIMENTO/ Prédio do novo Pronto-Socorro Municipal, construído no bairro Aviação
 
 






Atendimento à saúde mostra
contrastes entre as classes 

      Para o médico José Marques Filho, diretor do CRM (Conselho Regional de Medicina), existe no município um contraste muito grande entre o atendimento médico às classes alta e pobre. “Ainda existe uma distância muito grande a ser percorrida e nós esperamos que não só aqui, mas em todas as cidades, que se coloque o SUS (Sistema Único de Saúde) realmente em funcionamento”, afirmou Marques Filho. “Nós entendemos que desde que foi criado o SUS, em 1988, ele ainda não foi implantado e o atendimento médico à população de baixa renda está ainda muito aquém do que desejam os médicos e os pacientes”.
Para o diretor clínico da Santa Casa, Sérgio Smolentzov, a melhoria do atendimento médico à população só tem uma maneira de se realizar: através de parcerias. “Nos últimos anos está acontecendo uma mudança assustadora nessa área”, avalia. “De nada adianta o médico estar com seu consultório lotado no centro da cidade e não saber o que acontece na periferia da cidade”. Smolentzov garante que 80% dos 325 leitos do hospital são ocupados por pacientes do SUS.
O diretor da DIR (Divisão Regional de Saúde), Armando Salineiro Júnior, afirma que o gerenciamento do setor é um pouco complicado porque envolve diferentes segmentos interessados. “O Estado vem cumprindo com sua parte, às vezes não com os recursos suficientes”, pondera.
Para o atual secretário municipal de Saúde, Antônio Rubens Lima de Castro, a saúde pública esbarra no atendimento pessoal do médico. “O relacionamento médico paciente tem que ser reavaliado”.
Na opinião do diretor regional da APM (Associação Paulista de Medicina), Paulo de Tarso Nora Verdi, é preciso resgatar a satisfação profissional no atendimento à saúde pública. “Se mantivermos o salário no mesmo patamar, pouca coisa vai melhorar”, prevê.
O secretário Antônio Rubens de Castro, aponta como positivo a redução do índice de mortalidade infantil de 18,1% em 1998 para 11,9% em 1999. Das 2.686 crianças nascidas no ano passado, 32 morreram antes de completar. Segundo ele, a redução é resultado de diversos programas realizados por sua secretaria.
Um relatório apresentado pelo próprio secretário ao Conselho Municipal da Saúde reconhece, no entanto, que em diversas áreas não se atingiram as metas propostas. Enquanto a mortalidade infantil vem caindo os indicadores da mortalidade proporcional aos maiores de 50 anos continua em alta no município. Mais de 70% das pessoas com mais de 50 morrem devido principalmente a doenças cerebro-vasculares e tumores malignos.
Segundo o relatório, de janeiro a novembro deste ano foram realizadas 830.962 consultas médicas pelo SUS nos postos de saúde, pronto-socorros e hospitais de Araçatuba. Se os 127 médicos contratados pela prefeitura trabalhassem todos os dias do mês isso daria uma média de 19 consultas/dia por médico.
 
 

EDUCAÇÃO
Creche integral e escolas mais seguras

       A principal reivindicação da população de Araçatuba com relação às creches é a construção de mais unidades: 39,41% dos entrevistados pelo (Instituto Banco de Dados Toledo) gostariam que a prefeitura desse prioridade a isso.
Outro desejo de 24,15% dos araçatubenses é que as creches atendessem em período integral e recebessem matrículas de crianças entre0 e 6 anos de idade, já que a maioria das mães que trabalham fora não têm com quem deixar os filhos pequenos e durante o horário em que eles não estão nas creches.
Segundo o deputado federal Jorge Maluly Netto (PFL), prefeito eleito de Araçatuba, num primeiro momento a prefeitura vai investir na ampliação do número de vagas oferecidas nas creches já existentes, o que vai atender a expectativa de 18,91% dos entrevistados.
“Concordo plenamente com a população sobre a escassez do número de creches, mas vamos resolver esse problema por etapas. Primeiro vamos ampliar o número de vagas. Depois, conforme a necessidade, construiremos novas unidades”, diz.
Quanto ao ensino fundamental, a principal preocupação dos araçatubenses é com relação à falta de segurança nas escolas, problema que aflige 33,48% dos entrevistados pelo IBDT.
Maluly acredita que a solução para essa questão deve vir do aumento do efetivo da Guarda Municipal, que hoje tem 260 homens.
“Precisamos reciclar e treinar esses profissionais para atuarem em locais como escolas e na fiscalização do trânsito. A Guarda Municipal não tem poder de polícia, mas complementa a sua ação. Até o final do primeiro ano do mandato, pretendemos elevar o efetivo para 400 pessoas, inclusive mulheres”, explica o prefeito eleito.
A população também se mostrou preocupada com a melhoria na qualidade do ensino (23,98%), maior rigor no aprendizado (14,25%), mais vagas nas escolas (14,03%), melhor formação dos professores (9,95%) e melhor conservação das escolas (4,30%).
Maluly Netto afirma que pretende rediscutir a municipalização do ensino em Araçatuba, que foi feita em agosto do ano passado e, segundo ele, tem “pontos obscuros”, como a má distribuição dos alunos entre as escolas da rede. Para o deputado, a revisão do sistema pode solucionar alguns dos problemas apontados pela população.
 
 

Foto: Folha da Região - 23/04/99

BABÁ/ Criança brinca em creche enquanto a mãe trabalha
 
 






Dirigentes discordam sobre reprovação

        O regime de progressão continuada onde os alunos não repetem de ano nas séries intermediárias do ensino fundamental é um dos pontos de discórdia entre os dirigentes das escolas estaduais e municipais de Araçatuba. O diretor interino da Divisão Regional de Ensino, professor Joaquim Benício Peruzzo, diz que o sistema é adotado por diversos países europeus e acredita ser benéfico para os alunos. Já o secretário municipal da Educação, Afonso de Oliveira, discorda e diz ser favorável ao sistema de reprovação.
O secretário afirma que uma grande parte dos alunos está chegando hoje à quinta série sem ter assimilado os conteúdos mínimos necessários do currículo escolar. “Tanto é que existem ações no Ministério Público em que os próprios pais solicitam reprova dos filhos”, informa Oliveira.
A prefeitura mantém 30 escolas de educação infantil, que atendem 5.800 crianças de zero a 6 anos.  Além dessas, funcionam na cidade outras 12 escolas infantis, mantidas pela iniciativa privada, que atendem 492 alunos. A merenda escolar é servida diariamente para mais de 25 mil alunos. E 33 veículos percorrem diariamente mais de cinco mil quilômetros para transportar 1.700 alunos da zona rural para as escolas da zona urbana.
O governo do Estado mantém outras 30 escolas em Araçatuba para os ensinos fundamental (1ª a 8ª séries do antigo 1º grau) e médio (1ª e 3ª séries do 2º grau). Ao todo são atendidos pelas escolas estaduais 25.198 alunos.
Na opinião do diretor substituto da Divisão Regional de Ensino, o regime de progressão continuada no ensino fundamental é benéfico para o aprendizado do aluno. “É um sistema adotado há muito tempo por países de primeiro mundo”, revela. “O professor tem que trabalhar com o contexto e não apenas no conteúdo da disciplina. E trabalha-se com isso para desenvolver habilidades e competências dos alunos.” 
No ensino médio o regime é de progressão parcial de estudos, o mesmo adotado pelas faculdades onde o aluno pode passar para o ano seguinte e ficar em dependência de até três matérias. Outra observação feita pelo dirigente regional de ensino é que está se reduzindo gradativamente o número de alunos no período noturno. 
A constatação feita por ele é que isso está ocorrendo em razão de que o jovem está ingressando cada vez mais tarde no mercado de trabalho.
 
 

SEGURANÇA
Polícia mais próxima da comunidade

      Depois das melhorias nos serviços de saúde, a população de Araçatuba acredita que a intensificação da segurança pública é a principal medida a ser tomada para elevar a qualidade de vida na cidade. Na pesquisa feita pelo IBDT (Instituto Banco de Dados Toledo), 19,32% dos entrevistados disseram que a segurança deveria ser priorizada pelos órgãos públicos.
Para isso, os araçatubenses acreditam que o número de policiais nas ruas deveria ser ampliado (resposta de 30,66% dos entrevistados), o policiamento comunitário deveria ser estendido a todos os bairros (21,28%) e a polícia deveria ser reestruturada (13,5%).
De acordo com o tenente-coronel Alfonso Ferrante Bruno, comandante do 2º BPM-I (Batalhão da Polícia Militar no Interior), responsável pelo policiamento na cidade, ampliar o número de policiais não garantiria a redução da criminalidade e o conseqüente aumento da segurança.
Por motivos estratégicos, Bruno não revela o número de policiais que trabalham nas ruas e nem a quantidade de veículos que utilizam, mas afirma que a quantidade é “respeitável”.
“A polícia não pode resolver sozinha a falta de segurança e criminalidade. Isso é uma tarefa para os governantes, que têm de criar políticas sociais e de emprego, do Ministério Público, do Poder Judiciário, de um sistema carcerário que recupere os presos. Mas as pessoas acham que quando vêem muitos policiais nas ruas, estão mais seguras”, diz.
Quanto ao policiamento comunitário, que já existe em quatro bairros de Araçatuba (Hilda Mandarino, Juçara, São José e Engenheiro Taveira), sua ampliação dependeria de maior efetivo, e segundo o tenente-coronel, atualmente a polícia não pode deslocar homens do policiamento preventivo e dos setores administrativos para fazer isso.
“Mesmo assim, acredito que temos um policiamento no mesmo padrão, e em alguns aspectos até melhor, do que o existente nas demais cidades do interior do Estado”, acredita Bruno.

GUARDA - Na pesquisa, 4,12% dos entrevistados também manifestaram o desejo de ver a Guarda Municipal ampliada, para auxiliar a polícia na tarefa de aumentar a segurança da cidade.
Atualmente, a guarda tem um efetivo de 260 homens, que atuam apenas na segurança dos prédios públicos e na fiscalização de trânsito.
O prefeito eleito de Araçatuba, deputado federal Jorge Maluly Netto (PFL) afirmou que pretende aumentar o efetivo da guarda para cerca de 400 homens até o final de seu primeiro ano de mandato e formalizar um convênio de integração entre ela e a Polícia Militar.
“As corporações serão complementares. A GM não terá poder de polícia, mas vai atuar onde não precise disso. Já estou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança Pública para firmar esse convênio”, disse Maluly.
O prefeito eleito também pretende criar a Guarda Municipal Feminina, cujas profissionais devem atuar no policiamento preventivo em portas de escolas. A segurança nas escolas deveria ser a principal prioridade da administração pública municipal no ensino fundamental para 33,48% dos entrevistados na pesquisa do IBDT.
 
 

Foto:

PSICOLÓGICO/ Carro da Polícia Militar em patrulhamento de rua em Araçatuba; comando diz que ampliação do efetivo não garante mais segurança
 
 






Avenida dos Araçás
deveria ser refeita

       A avenida dos Araçás, principal corredor de ligação entre o centro e a zona oeste da cidade, foi concluída em 1996, depois da retirada dos trilhos da estrada de ferro Noroeste da região central, mas segundo especialistas em trânsito e pessoas ligadas à área, precisaria ser refeita ou pelo menos ter o traçado modificado na maior parte dos seus 40 quilômetros de extensão.
Uma das obras de engenharia mais caras da cidade, a avenida é apontada como o seu principal problema de trânsito, e também o maior desafio para as próximas administrações. A via tem estreitamento de pistas, saídas de ruas perpendiculares em curvas e cruzamentos perigosos em vários pontos.
De acordo com o secretário de Segurança Municipal, Anésio Duarte, todas as obras que vêm sendo feitas na avenida nos últimos anos para resolver problemas pontuais são paliativas.
“Enquanto não se refizer a Araçás, tudo o que se fizer de obras nela terá efeito apenas momentâneo. E esse é um desafio para o começo de século em Araçatuba”, diz.
O Demtra (Departamento Municipal de Trânsito) também considera a avenida o principal problema do setor, mas o diretor do órgão, Carlos César da Costa, 30, não há grandes problemas de trânsito na cidade.
O arquiteto Rui dos Santos Pinto Júnior, presidente do Conselho Municipal de Trânsito, no entanto, acredita que a cidade tem vários problemas graves relacionado às deficiências na estrutura viária.
“A avenida dos Araçás é o retrato da cidade em termos de trânsito. Estamos no limiar de problemas muito mais sérios. E do jeito que o número de veículos está crescendo na cidade, o sistema viário não vai aguentar”, afirma o arquiteto. Araçatuba tem hoje uma frota de cerca de 87 mil veículos, com um aumento de, em média, 850 carros por mês.
Pinto Júnior acredita que as próximas administrações municipais terão de gastar tempo e dinheiro para fazer um estudo rigoroso do atual sistema viário e planejar com cuidado a sua ampliação.
 
 

LAZER
População pede um grande parque

      A cidade de Araçatuba é carente em espaços destinados ao lazer e tem dificuldade para promover espetáculos culturais devido a falta de recursos da prefeitura e a ausência de patrocinadores. A falta de opções fez com que a avaliação da população sobre o assunto fosse ruim para 37,73% dos entrevistados pela pesquisa do IBDT (Instituto Banco de Dados Toledo) e péssima para outros 24,55%.
Apenas 3,89% dos entrevistados consideraram a quantidade de atividades de lazer desenvolvidas na cidade ótima, e 33,86% disseram que ela é boa. a construção de um parque popular foi a medida sugerida pela maioria das pessoas.
Rica em artistas de várias especialidades e contando com uma estrutura de 70 praças, dois teatros, uma prainha, uma biblioteca, um centro cultural, um museu, um centro de práticas esportivas, um parque ecológico e um ginásio de esportes, a cidade não oferece condições para que todos esses espaços sejam utilizados plenamente.
Segundo o secretário do Planejamento, Edson de Paula, 56 anos, Araçatuba é um município que pode ser considerado muito carente em termos de lazer. “Toda a aparelhagem de lazer do Estado fica para os lados de São Paulo e viajar não é barato. As opções em Araçatuba são quase zero”, diz.
O secretário afirma que a prefeitura não teve condições de construir novas áreas de lazer por falta de verbas, mas acredita que esse também não é o papel do Executivo.
“A finalidade dos órgãos públicos, hoje, é conciliar os interesses do Estado com os da comunidade. Mas não necessariamente gastando dinheiro. A prefeitura não tem que ser o maior investidor na área de lazer e cultura, mas sim criar condições para que investidores particulares se instalem na cidade”, afirma.
Paula acredita que um dos desafios da próxima administração é levar o lazer e o esporte para os bairros, porque isso, segundo ele, evitará problemas futuros de envolvimento dos jovens com drogas. “Mas sempre preservando o meio ambiente, que é o maior legado da natureza.”
O titular da pasta do Planejamento afirmou que se dispusesse de verba, gostaria de construir pelo menos quatro centros poliesportivos nas regiões dos bairros Hilda Mandarino, Nossa Senhora Aparecida, Juçara e São José.
Para o do Hilda Mandarino e o do Nossa Senhora Aparecida, Paula chegou a solicitar verba junto ao governo federal, num total de R$ 1,5 milhões, mas a liberação foi negada.
Já o prefeito eleito de Araçatuba, deputado federal Jorge Maluly Netto, acredita que com menos sacrifícios a cidade poderia dispor de mais opções de lazer. Ele acredita que as praças públicas podem se tornar os principais palcos para que isso aconteça.
“Nas praças, podemos ter ao mesmo tempo um jardim, um minicampo de futebol, uma quadra poliesportiva e uma área cimentada para a prática de esportes como judô e capoeira. Com isso, temos dois benefícios em apenas uma ação: damos lazer à população e tiramos as crianças das ruas”, define.
Maluly Netto diz que já conseguiu a promessa de recursos federais para a construção de quatro praças na cidade.

PATROCÍNIO - Promover a cultura local e “importar” espetáculos de música, dança ou teatro também são tarefas difíceis para a Secretaria da Cultura pelo mesmo motivo da falta de verbas. Além disso, o órgão alega dificuldade para conseguir patrocínio para financiar os espetáculos e atividades.
“Araçatuba é uma cidade privilegiada. Tem grandes artistas, mas o dinheiro é a grande dificuldade. Mas também enfrentamos um certo desprestígio dos artistas locais junto à comunidade”, diz a diretora do departamento de cultura da secretaria, Vânia Heloísa Menezes, 36.
Segundo ela, alguns eventos realizados pela secretaria acabam tendo um público baixo tanto por falta de interesse das pessoas como por falta de informação.
Vânia acredita que o ideal, além de a prefeitura dispor de verbas para bancar a realização de todos os tipos de eventos culturais, seria o município ter um grande centro de convivência, com teatro convencional e de arena, auditório, saguão de exposições e bar literário, entre outras coisas, além de um estúdio de gravação, para ajudar os artistas locais a iniciar suas carreiras.
 
 

Foto:

ESPAÇO COMUNITÁRIO/ Prainha municipal de Araçatuba, implantada pela prefeitura neste ano junto ao rio Tietê
 
 







CRÔNICA
Carta à velha senhora

Jorge Napoleão Xavier

       Bom dia, Araçatuba! Escreve estas linhas quem aqui nasceu e vive. Que guarda na memória os devaneios, os sonhos, os mistérios e os segredos que a envolvem. Não são diferentes, piores ou melhores, que os das outras cidades. Pelo sim e pelo não, porém, as outras não têm beleza e nem história porque não se chamam Araçatuba.
As casas de comércio concentravam-se no centro. Hoje, se referem ao “centro velho”, com um ar perojativo. Mas nem sempre foi assim. Na antiga Rodoviária, “seo” Juvenal vendia banana nanica, pé-de-moleque e rapadura. Benjamim, o lateiro bigodudo, fazia regador de água, o dia inteiro sentado ao lado do prédio da cadeia. Ao redor, as residências.  Assim era a senhora, mais ou menos, dona Araçatuba daqueles tempos.
Os amantes-governantes até que foram fiéis, mas nem tanto: uns a agrediram, todos os dias, não se importaram com o teu presente e muito menos com o teu futuro. Outros não deram o tratamento de princesa que a senhora merecia.
Baniram a Maria Fumaça. Os novos donos da ferrovia simplesmente a arquivaram no almoxarifado da saudade.
Mesmo escorregando aqui e acolá, todavia, teus passos mantém-se firmes. As enfermidades? Corriqueiras. A menopausa dos 50 anos passou incólume e os hormônios do progresso estimulam as esperanças no amanhã.
Os presos não transitam mais a pé, escoltados, com as calças caindo, pela General Glicério, entre a cadeia e a delegacia, no trecho onde os moleques descalços jogavam bola no areião em frente à casa do Edson Cabaritti Cury, o Bolinha da TV.
Por ordem expressa do além, o cego Peixoto deixou de cobrar as contas perdidas. Seu sucessor, o negrinho Traçaia, sede absoluta do sorriso, seguiu-o pela eternidade. Meu irmão Jorge Expedito já não me leva mais pela mão na rua Oswaldo Cruz, porque a mão de Deus o buscou antes do vencimento do contrato de alegria e de bonança que havia firmado com a família e com a vida.
Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira e Isaurinha Garcia pararam de cantar nas festas da Norogás. Orlando Silva, Zé Trindade, Nelson Gonçalves e muitos outros deixaram de circular na zona boêmia da ex-13 de Maio (rua 15 de Novembro). A noite agora é perigosa e o meretrício sumiu nas modernidades esquisitas do sexo.
Proibido nadar no Baguaçu, vetado pela poluição. Com a morte dos rios, morrem também os meninos do rio. O Parque Saffioti asfixiou-se, dando fim aos bailes onde os casais dançavam e os moços bebiam cerveja e não cheiravam nada. Cresceram as crianças da praça São Joaquim, os filhos dos ferroviários, que aprendiam radiotelegrafar e a jogar futebol de gente grande.
As brincadeiras noturnas da praça da Santa Casa ficaram sérias, erotizaram-se. O colégio ainda é dos padres de Dom Bosco e de São Domingos Sávio: Mário Pelatiero, Mário Forgione e Guido Parra estão nas lembranças do Tantum Ergum Sacramentum. 
A rua Oswaldo Cruz deixou de cultivar seus poetas Almir Rodrigues Bento e Aldo Campos. Ela, que vivia cheia de bicheiros e de cambistas, ainda se recorda de Lázaro dos Santos e de Ernani Siniscalschi.
O velho Costa vendia pastéis bem perto da cozinha do Pompeu, que ajudou a criar muitos filhos de ninguém. Virou esputinique o arroz caipira, porém decente e educado, da Cantina do David Gaspar. O piano da Cantina do Odilon emudeceu.
José Dionísio, João Miranda de Souza e o doutor Pedroso não impulsionam mais o futebol canarinho. E o Estádio Ademar de Barros se esvaziou de Jonas e Dionísio, Brazão, Pedro e Vander, Botina, Oswaldinho, Tremembé, Alceu, Cláudio Chulé De Camilo, Fernando, Saraiva, Claudinho, Alfredinho Neves, Dias, Bota, Bode, Almir, Traçaia, Ferrão, Helinho, Pingo, Zinho e Hugo.
Milani, Leopoldo e Fatori não circulam mais de terno e gravata em nome da lei, que agora se sente insegura.  O silêncio invadiu o cabaré de dona Lídia, que deitou madame e acordou mendiga.
Hilton de Abreu Gomes foi o melhor de todos mesmo com o joelho inchado, ainda não surgiu substituto para marcar os gols de falta e de “sem pulo”. 
A “Resenha Esportiva” no ar, Fiori Gigliotti, Clóvis Corrêa e Newton Brasil de Lima não falam mais ao microfone da PRI-8, Rádio Cultura, onde permanece o Belô. A Difusora, a Luz (que lançou Hermano Henning e Hélio Negri), o Diário de Araçatuba, A Comarca, Tribuna da Noroeste e A Cadência. Depois, esta Folha da Região, Barretinho, Bira e Luís Deletezze, mais tarde o Genilson, a reviver a Cinelândia (com o Toshio Ueno e o Élcio Silveira Bueno).
Na portaria do céu, Tatá protege a boêmia, ao som da bateria do Passarinho, do sax do Antonio Bombonatti e do pistão do Pedro Turrini. Mexe-Mexe agradece em nome da turma.
Fernando Amaral de Almeida Prado, em bate papo com seu amigo baiano Mané Pereira Menezes, Mané Barbeiro, não carrega mais o Estadão debaixo do braço e nem o charuto na boca.
O modismo do tênis e da roupa pronta fecharam a sapataria do “seo” Acúrcio e as alfaiatarias do Luis Mendes, do Canato, e do Benevides. Não há quase ninguém à porta do Araçatuba Clube e os associados não ouviram falar em Clóvis Picoloto, Dario Lorenzi, Angelim Amantéia e Manoel Barbosa.
Procópio Ferreira e Menotti Del Picchia nunca mais vieram falar de teatro e de literatura. Ou de política. A praça Getúlio Vargas continua no mesmo lugar, mas sem juntar outros 21 mil brasileiros para ouvirem o próprio Getúlio discursar, ao vivo.
Zelão aposentou-se do Manoel Bento da Cruz e do mundo. Assim como o rei  Arthur Evangelista de Souza, que há pouco viajou. Dona Lóinha Rocha ainda lê o jornal diário.
Daniel Ferraz Campos punha os alunos uniformizados pra correr e Hirosi Itinose pra nadar de maiô.  Plácido Rocha deitava falação na Oswaldo Cruz, dando ordens ao governador.
Entre os médicos, permanece o respeito por Delmir, Brívio, Kikuchi, Barbosa, Peres, Raposo, Louzada, Grota, Moreira, Tourinho, Darcy Xavier, Luis Gomes, Dantas, Areobaldo, Barbanti, Uchoa, Castelo Branco, Godoy, Francisco Villela, Chico Villela, Zé Villela, Nico Villela, Toninho Paula Eduardo, Ubiratan e Jecy Villela, sempre lembrados. Cotrim, Creso, Carrijo, Okida, Olair, Avezum, Biaggioni, Marçal, Cardilli, Pinheiro, Gilberto, Minoru, Ferrari, Rubica, Lobinho, Carlinhos Rosa, Luis Cláudio Pandini, Paulo Coutinho, Lorico, Newton, Nó, Pratinha, Hélio Canário, Sérgio Smolentzov, Hélio Poço, Tuppy, Takao, Enio, Elmano, Paulo e Jousé Katsuda, Pachecão, os Fujihara, os Cazerta (Pedro, Silvério e Edman) e Renato, os bambas da geração.
Joaquim Dibo impulsionou as escolas, D. Quixote do ensino. Antonio Eufrásio Toledo, sejamos moços eternamente. Zézinho empurrou a Reunidas, transporte de gente. Os Dias de Castro, o transporte de carga.
Na Câmara, Flávio Leite Ribeiro, o melhor vereador de todas as épocas. 
O padre Francisco Sersen construindo a Igreja São João. Na Matriz Nossa Senhora Aparecida, monsenhor Vitor Ribeiro Mazzei, monsenhor Luso da Cunha Sornas e padre Luís Crescente. Do outro lado, Benedita Fernandes desencarnou, mas nasceu o mito.
Macaúba e Paulo Leão, Hugo Lippe, João Madrid, Lilito e Florentino, Tutinha, Nena, Gustão, Nilo Spessoto, Juarez, Crispim e Pedro Crotte não foram à Copa do Mundo, mas entendiam de futebol. Luís Quintiliano de Oliveira foi às Olimpíadas, Anubes Ferraz ganhou medalhas sul-americanas.
Gioconda era o ídolo, ainda que fosse do escracho. Juca Preto, Rosinha, Ernani e Chiquinho saíram das pistas e do carnaval. Nos clubes, Alexandre Filié resistiu, sambou no pé. 
Carlos Aldrovandi plantou a FOA, por ordem de Zeferino Vaz. Primeiro mundo. Oswaldo de Souza Martins, Ricardo Wagner e Adelino Marques balançavam as colunas do júri.
Waldomiro Novais, Popó, Juvenal Rodrigues de Moraes, Ubirajara Lemos, Jeremias Alves Pereira, Paulo Alcides Jorge, Hiroshi Itinose e Antonio Ferreira Damião escreveram muitas das estórias que Fabriciano Juncal imprimiu no livro “A Verdadeira História da História de Araçatuba”.
E aqui estamos nós, Araçatuba. Ao final do século, no início do novo milênio. Há quem diga que evoluiu. Os profetas do pessimismo juram o contrário, mas a senhora os vencerá.
No dia de teu aniversário, dói constatar que muitos amigos que entraram no quarto para dormir nunca mais acordaram. Descansam lá no alto, onde a ressaca da vida se trata com água da bica São Pedro, presente em pessoa o dono do lugar.
Outros tantos continuam teimando em trabalhar. Elísio e seus terrenos, o Shopping, o Fernando Sérgio, as construtoras, Genilson no jornal, a TV-I, o comércio, a indústria, os serviços. O ecoturismo, as escolas, os clubes de praia, os motéis. As casas de caridade. O colorido barulhento da moçada na avenida Brasília.
O prefeito Maluly Neto a herdará. Que faça de tudo pela Velha e Boa Senhora e que Deus o proteja, te proteja e a todos nós, parabéns!
Até logo, Araçatuba, saúde e paz!

Jorge Napoleão Xavier é historiador (leigo e amador), jornalista, professor universitário e advogado
 
 

Foto: Arquivo pessoal

MOCIDADE/ Vista parcial da cidade de Araçatuba em foto feita durante o ano de 1939
 
 

MEIO AMBIENTE
Lixão ainda desafia Araçatuba

       A destinação das cerca de 120 toneladas diárias de lixo doméstico e industrial em Araçatuba é o maior problema ambiental da cidade e o maior desafio para as próximas administrações municipais. A opinião é de profissionais ligados à área de Meio Ambiente, que apontam, ainda, a educação ambiental como necessidade urgente.
Sem conseguir concluir os projetos do aterro sanitário e da usina de reciclagem de lixo, a cidade mantém em funcionamento um lixão há cerca de 20 anos, que recebe, segundo a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), 99% do lixo produzido no município.
Orçado em aproximadamente R$ 1,25 milhão, segundo a Sama (Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente), o aterro deverá ser construído com recursos do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos) que ainda não foram liberados.
Segundo o secretário da Sama, Ederval Antunes de Souza, 60 anos, a usina de reciclagem e compostagem de lixo é ainda mais importante que o aterro, já que pelo menos 80% dos resíduos podem ser reciclados. “Em Porto Alegre, por exemplo, praticamente todo o lixo é reciclável. Isso gera empregos, gera receita”, diz. Para ele, a questão é um desafio para a próxima administração.
A solução do problema do lixo, no entanto, não pode ser encarado apenas como uma atribuição exclusivamente da prefeitura. Segundo a ambientalista Selma de Fátima Figueiredo Rico, 43, a população tem papel importante no processo. “As pessoas não têm sequer o capricho de embalar adequadamente o lixo para colocá-lo na rua. Além disso, tem que parar de jogar o lixo em locais não apropriados. Meio ambiente é solidariedade”, afirma.
Outro problema apontado pelos profissionais ouvidos pela Folha da Região é a falta de uma lei de uso e ocupação do solo, que delimite as áreas destinadas à implantação de indústrias, estabelecimentos comerciais e residências, para que o crescimento da cidade seja planejado e não haja impactos ao meio ambiente.
De acordo com o secretário do Planejamento, Edson de Paula, 56, é urgente que o município crie a lei, porque acredita que o próprio ribeirão Baguaçu, responsável por 80% do abastecimento de água da cidade, pode ser até parcialmente aterrado caso não se controle a ocupação urbana ao seu redor.
“Esse projeto foi feito no início da atual gestão e enviado à Câmara, só que nunca voltou de lá”, diz Paula. O presidente da Câmara, vereador Tadami Kawata (PTB), diz que a lei já foi aprovada e está em vigor. “O secretário (Edson de Paula) está redondamente enganado”, afirma.
O secretário de Obras e Serviços Públicos, Mauro Rico, e o gerente da agência ambiental da Cetesb em Araçatuba, José Maria Morandini Paoliello, 46, no entanto, confirmam a versão de Paula. “Esse é um problema que causa transtornos a toda a população. O crescimento de Araçatuba é desordenado, não há delimitações de locais pré-determinados para a construção de casas, indústrias, comércios e serviços”, diz Paoliello. Segundo ele, Penápolis é a única cidade da região que possui uma lei de zoneamento.
 
 

Foto: Folha da Região - 02/02/2000

POLUIÇÃO/ Lixão de Araçatuba, depósito à céu aberto que existe há 20 anos, é principal problema de meio ambiente
 
 






Esgoto não é mais problema

      O serviço de saneamento básico em Araçatuba deixou de ser alvo de críticas por parte de ambientalistas e sanitaristas há  quatro meses, desde a inauguração da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), a obra mais importante realizada pela prefeita Germínia Venturolli (PRP) nesta gestão.
Com capacidade para tratar mais de um bilhão de litros de esgoto por mês, a estação, cuja concessão pertence à empresa Sanear, recebe 80% dos resíduos produzidos em toda a cidade. O restante é tratado nas duas lagoas de tratamento localizadas nas bacias dos Espanhóis e dos Tropeiros.
Quanto ao abastecimento de água, o presidente do Daea (Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba), afirma que não há falta do produto em nenhum bairro da cidade, embora o sistema esteja operando quase no limite.
“Não existe falta de água, mas precisamos contruir uma terceira estação de tratamento de água, orçada entre R$ 18 milhões e R$ 19 milhões. Para minimizar o problema que tínhamos algum tempo atrás, perfuramos o poço profundo do Juçara. Mas foi paliativo”, explica Saliba.
O presidente da autarquia afirma que não há mais tempo para a construção da estação na atual administração. “Mas é preciso que seja feita na próxima. É natural que se mude a filosofia de governo, mas não os serviços prestados.”
Segundo o arquiteto Rui dos Santos Pinto Júnior, presidente do Condema, o fornecimento de água e tratamento de esgoto são motivos de orgulho para Araçatuba. “Somos privilegiados nesse aspecto.”
 
 

Foto: Lécio Jr.

ESGOTO/ Estação de tratamento, inaugurada em junho